Moldávia: protestos contra a corrupção

O povo mantém-se firme no seu protesto contra o governo moldavo
O povo mantém-se firme no seu protesto contra o governo moldavo

Fotos: Rui Marote, em Chisinau, Moldávia

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A objectiva do repórter fotográfico Rui Marote captou, em Chisinau, capital da Moldávia, o protesto do povo desta república na Europa de Leste, uma das antigas integrantes da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A transição para a democracia parlamentar aconteceu, e o país foi-se progressivamente aproximando da União Europeia ao longo dos anos mas, mais recentemente, o governo tem estado sob fogo, sujeito às mais severas críticas por causa de um escândalo bancário, entre outros motivos.

As imagens foram captadas ontem pela objectiva do fotógrafo
As imagens foram captadas ontem pela objectiva do fotógrafo: acampamento de manifestantes no centro de Chisinau

A corrupção alastra aos mais altos escalões do Estado e, neste país, um dos mais pobres da Europa, foi descoberta este ano uma fraude bancária de gigantescas proporções: mais de mil milhões de dólares desapareceram de bancos da Moldávia, e, de acordo com relatos, terão beneficiado, entre outros, um homem de negócios de 28 anos, Ilan Shor, próximo do primeiro-ministro.

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A Moldávia, apesar da pobreza do país, é governada por uma oligarquia rica e cheia de privilégios, de tendência europeísta, contrariando a vontade de Moscovo. A aproximação à União Europeia não se estará a processar pelos melhores motivos: sabe-se que muito do dinheiro que “sumiu” dos bancos moldavos passou por companhias britânicas. O seu paradeiro ainda não foi apurado, e o desaparecimento de quantias desta natureza desvalorizou significativamente a moeda do país, o leu, e espoletou protestos públicos. À frente dos mesmos está o movimento Dignidade e Justiça, uma plataforma cívica coordenada por jornalistas, advogados e outras figuras públicas que apelaram à desobediência civil.

Estudantes com uma tarja com as cores da bandeira nacional
Estudantes com uma tarja com as cores da bandeira nacional

É essa desobediência civil que nos últimos meses tem estado sempre presente no quotidiano, principalmente em Chisinau. Os manifestantes têm surgido aos milhares nas ruas, protestando contra a corrupção nas altas esferas do poder e contra o facto de o governo ter ido socorrer, com o dinheiro dos contribuintes, as três instituições bancárias de onde o dinheiro desapareceu, salvando-as da falência mas prejudicando ainda mais a economia.

Aqui assinam-se referendos contra o governo
Aqui assinam-se referendos contra o governo

Ilan Shor afirma-se inocente, e não há dúvida de que há mais gente envolvida; mas o que é certo é que até agora o governo moldavo tem falhado redondamente em prestar explicações satisfatórias ou em conduzir investigações concludentes sobre este caso. As confrontações têm surgido um pouco por aqui e por ali, apesar de os protestos que se têm registado têm sido, na sua maioria, pacíficos; mas já se verificaram alguns confrontos entre os manifestantes e a polícia, e com os chamados unionistas – os apoiantes de uma união da Moldávia com a Roménia.

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Entretanto, mantêm-se os acampamentos no centro da cidade, na praça principal. Os porta-vozes do movimento Dignidade e Justiça afirmaram que os seus apoiantes manterão as tendas na praça principal de Chisinau, perto do edifício do governo, até que as suas reivindicações sejam atendidas.