Empresa de navegação João de Freitas Martins deve aos portos 550 mil euros

joão freitas martins 1
FOTOS: Rui Marote

A empresa de navegação “João de Freitas Martins” está em dívida para com a Administração dos Portos da Madeira. Fontes ligadas ao tecido empresarial garantiram ao FN que o montante em dívida ronda um milhão de euros. Entretanto, a empresa inicial terá sido extinta e foi criada a atual “João de Freitas Martins Shipping”, cuja dívida aos portos também rondaria os 400 mil euros.

A informação feita chegar a este jornal on line também indica que este agente de navegação de diversas companhias marítimas – cruzeiros e cargueiros – tem vindo a fazer acordos de pagamento das dívidas mas que não os tem cumprido.

A versão oficial dos factos, pelo presidente João Welsh, confirma uma dívida inicial de duas empresas do grupo no valor de 900 mil euros que, neste momento, com os acordos de regularização do crédito em falta, ronda os 550 mil euros.

O FN contactou primeiro a presidente do conselho de administração da APRAM que não facultou os montantes em dívida. Alexandra Mendonça explicou  a prática que a entidade portuária adota relativamente aos casos em dívida, sem específicar a empresa em foco: “A APRAM não deve nem pode comentar em público as dívidas dos seus clientes e respetivos montantes. Pode, contudo, confirmar que existem Acordos de Regularização de Dívida firmados e que os mesmos estão a ser cumpridos. Todos sabemos a conjuntura económica difícil por que o setor empresarial passou. Fruto dessas dificuldades de tesouraria, a que a APRAM também não foi alheia, verificaram-se atrasos em pagamentos, atrasos esses que estão a ser regularizados por via dos referidos acordos. São situações correntes na realidade empresarial dos nossos dias, que afetam entidades públicas e privadas”.

O FN confrontou ainda Alexandra Mendonça com a informação de a JFM ter sido encerrada e ter dado lugar à JFM Shipping. A presidente esclarece: “Neste momento, a empresa com atividade corrente junto da APRAM é a JFM Shipping, Lda”.

O FN contactou o presidente da empresa  “JFM” que confirmou a existência de dívidas, em montantes mais baixos e que têm vindo a ser regularizadas gradualmente. O FN reproduz as repostas de João Welsh sobre este assunto.

Funchal Notícias – O FN foi informado de que a “JFM” – agora designada de “JFM Shipping” – está em dívida para com a APRAM num total de um milhão de euros. Confirma-se?

João Welsh – Sim, confirmo que duas empresas do nosso grupo têm uma dívida para com a APRAM. Dívida que resulta da crise de 2008, com um acumular de uma dívida muito significativa por parte do Governo Regional a uma das empresas também do nosso grupo e relacionada com a compra de passagens do IDRAM, por um lado, e por outro lado, de alguns atrasos e incobráveis que tivemos relacionados com armadores que agenciamos.

Fruto das dificuldades de tesouraria que enfrentamos na altura gerou-se uma dívida junto da APRAM, dívida essa que, logo que apurada, foi objecto de confirmação pelas nossas empresas, negociação e acordo de plano de pagamento com juros.

FN – Quais são os valores em dívida?

JW – Os valores da dívida são os seguintes: “João de Freitas Martins, SA”, valor inicial: 621.219,62€;  valor atual em dívida após pagamentos realizados de acordo com o plano de amortização: 262.095,98€; “JFM Shipping, Lda”, valor inicial da dívida: 287.687,66€; valor atual em dívida após pagamentos realizados de acordo com o plano de amortização: 153.349,68€

Em suma, fruto de circunstâncias geradas pela crise algumas das nossas empresas enfrentaram problemas de tesouraria. Face a esse constrangimento tivemos de negociar com a APRAM um acordo de regularização da dívida, única forma de podermos cumprir.

Lembro que na condição de Agentes de Navegação somos responsáveis por liquidar todas as despesas relacionadas com as escalas dos armadores que agenciamos, paguem-nos estes ou não. Ou seja, funcionamos como garantia para a APRAM, porque quem acomoda os incobráveis é o agente de navegação.

FN – O acordo de liquidação dos montantes em dívida têm sido cumpridos?

JW – O acordo de liquidação da dívida de ambas as empresas têm vindo a ser cumprido rigorosamente e sem quaisquer incumprimentos como poderão validar junto da APRAM e como se pode constatar pelos saldos atuais em dívida. Apesar do problema, nunca declinamos os valores em dívida e sempre fomos pro-activos no empenho na regularização da mesma, com o máximo rigor.