Agricultura torna-se alternativa ao desemprego no Porto Santo

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O Porto Santo não vive só de praia e sol. Pequenos produtores estão a voltar aos terrenos de família, apostando numa agricultura seletiva e biológica. De forma a contornar os efeitos da crise e a tentar uma alternativa de sustento, alguns portossantentes mais jovens apostam numa atividade que parecia perdida nos tempos em que a construção civil levou grande parte da mão de obra.

Dona Domingas e o marido são o exemplo de um casal do Porto Santo a quem o desemprego bateu à porta, mas que decidiram deitar mãos à terra, que é como quem diz, fazer da agricultura a sua maneira de ganhar a vida. E não estão arrependidos, a comprovar pelo número de clientes que diariamente procuram a Barraca do Olival, à entrada da Praia do Ribeiro Cochino, junto ao Bar do Henrique. “Não há tomate nem cebola como a do Porto Santo, quer em qualidade quer em sabor”, sublinha um dos compradores, à saída do areal.

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Mulher desembaraçada e de trato afável, D. Domingas mostra-se orgulhosa daquilo que tem à venda. Nos últimos sete anos, assim que chegam os veraneantes, é ela quem dá a cara pelo negócio. O cultivo fica por conta do marido que já complementou o gosto pela terra com formação na área da agricultura biológica. Não falta quem queira comprar o que se produz nos terrenos do sítio do Farrobo, junto ao aeroporto, os melhores para a uva do Porto Santo. Para além dos cachos de baga branca e preta, a portossantense tem ao dispor dos clientes figos, maçarocas, tomate, cebolas e batatas. “Tudo natural, sem remédio nenhum”, garante, até porque os seus produtos estão em via de certificação.

A fruta fresca comprada nas barracas à beira do caminho, à ida ou no regresso da praia, são uma das imagens que marcam as memórias do verão, no Porto Santo. As uvas “caracol”, assim designadas graças à alcunha do lavrador que iniciou a sua plantação no sítio das Eiras, foram desde sempre a melhor companhia para uma tarde passada à beira mar. Sumarentos, eram também os melões e as melancias “profetas”, que seguiam acondicionados em pequenos caixotes de cartão na bagagem de final de férias. D. Domingas ainda recorda esses tempos de fartura em que os clientes levavam os últimos cachos dourados para o Funchal para assim se despedirem mais lentamente dos sabores do Porto Santo.

Embora sem a expressão de outros tempos, a vendedora acredita que os produtos agrícolas de seleção da Ilha Dourada têm potencial para se afirmarem num mercado cada vez mais exigente. Os terrenos existem e há uma nova geração de agricultores à espera de oportunidade. “Precisamos é de quem nos apoie”, sintetiza.