“A crise social tem de ser a prioridade da governação”, diz Tranquada

Sessão Solene ALRAM56EF

Tranquada Gomes, deputado do PSD e presidente da Assembleia Legislativa Regional, disse no seu discurso da sessão do Dia da Região que “é com particular satisfação” que vê regressar àquela casa esta comemoração, “retomando-se desta forma a lógica do modelo original que privilegia a sede do principal órgão de governo próprio da Região (…) como palco (…) desta efeméride”.

Agradecendo às entidades civis, militares e religiosas, agradeceu-lhes o respeito, simpatia e disponibilidade que têm manifestado para com op Parlamento.

Louvou, em nome da Assembleia, os politicos que lutaram pela Autonomia nas últimas quatro décadas. Lembrou Herberto Helder, poeta madeirense maior, falecido em Março passado. E prosseguiu endereçando uma saudação especial às comunidades de madeirenses no estrangeiro, com quem, afirmou, Miguel Albuquerque já mostrou intenção de reforçar os laços.

Já numa nota menos institucional, abordou a crise económica que forçou muitos madeirenses a emigrar.

“Temos famílias com rendimentos substancialmente reduzidos, dificuldades económicas acrescidas pelos cortes impostos pela austeridade; reformados e pensionistas que enfrentam carências financeiras”. Mas considerou que esses problemas têm sido atenuados pela actividade governativa e pela crescente mobilização de instituições privadas de solidariedade social.

Lamentou a emigração pela absoluta necessidade de conseguir emprego e defendeu: “Temos de criar condições para estancar esta situação que nos torna mais pobres”.

Por isso, reflectiu que é necessário um aprofundamento do diálogo com os Açores, Canárias e Cabo Verde, retomando parcerias de cooperação, e contar com o apoio do Estado e da União Europeia, que tem de saber olhar para as assimetrias existentes no seu seio, postulou.

Uma Europa que, criticou, foi também manietada pelo radicalismo do primado economicista.

Apesar das dificuldades, considerou que, neste dia festivo, a Assembleia, lugar de diálogo, que tem de ser uma “prática normal”, não pode deixar de “transmitir uma mensagem de esperança”.

Os cidadãos esperam dos deputados respostas adequadas, sublinhou, e por isso “estamos obrigados (…) a testar a nossa capacidade de falarmos uns com os outros, sem que isso ponha em causa as naturais diferenças ideológicas e programáticas entre partidos e de pensamento entre os políticos”.

Defendeu ainda que se fechou um ciclo parlamentar de grande oposição entre dois blocos opostos, a maioria e a oposição. “A presença do Governo Regional nos trabalhos parlamentares passou de excepcional a normal, acentuando-se a vertente fiscalizadora do parlamento”. Por isso, espera uma legislatura particularmente produtiva.

“Queremos reabilitar e consolidar a imagem do Parlamento”, garantiu. E alertou: a crise social tem de ser a prioridade da governação.