
Helena Mota
Cunha e Silva entra de férias na próxima terça-feira, o primeiro dia da era pós-Jardim. O governante despede-se da vida pública com a visita, esta sexta-feira, às obras da Frente Mar, uma obra que pôs o Vice de Jardim e Albuquerque, enquanto presidente da Câmara do Funchal, dos dois lados da barricada.
A poucos dias de deixar o cargo de Vice-presidente, João Cunha e Silva era, esta quinta-feira, um homem aparentemente descontraído. No final da inauguração da Festa da Flor, o governante em final de mandato garantiu ao Funchal Notícias ter já planos delineados para a próxima terça-feira, o dia seguinte à tomada de posse do Governo Regional liderado por Miguel Albuquerque. “Vou estar de férias. Vou tirar dez dias. Os primeiros dias serão de algum descanso. Depois, voltarei a trabalhar no meu lugar que tenho há 30 anos, na assessoria jurídica do Governo.”
Numa altura em que se arrumam gavetas e se trocam pastas, Cunha e Silva referiu já ter reunido com um dos novos secretários regionais, a quem terá transmitido grande parte das questões afetas ao seu departamento. “Estou disponível para ajudar em tudo o que me for pedido e preciso.”
Interpelado pelo Funchal Notícias a comentar este momento de transição, Cunha e Silva garantiu estar a ser um processo pacífico, até porque acredita na manutenção de um clima de desenvolvimento na Região. Um dos aspetos que o deixa apreensivo e para o qual chama a atenção do novo Governo Regional é a questão do desemprego, sobretudo o jovem. “Acredito que o Governo que aí vem tratará de fazer o seu melhor. Tenho muita fé nisso.”
O governante não quis comentar as dúvidas em torno da questão dos diretores regionais, sobretudo os que estão sob a alçada da Vice-Presidência, uma estrutura que deixa de no figurino do próximo Governo Regional. Diz tratar-se de um assunto do Executivo de Albuquerque. “Não tenho a ver com isso. O futuro Governo tem todo o direito a fazer como entender e acho muito bem. Aliás, eu partilho da opinião do futuro Presidente do Governo nessa matéria.”
Também pacífica parece ser a orgânica do novo Governo Regional, onde não consta Vice-Presidência. Cunha e Silva mantém a postura de compreensão quanto às opções traçadas pelo Executivo a tomar posse na próxima segunda-feira. “Os governos funcionam independentemente dos cargos que existam. Em determinado momento, pode haver necessidade, noutros não. Neste momento, parece não ser necessário. É de respeitar. O Governo não vai ser pior por causa disso.”
Na hora da despedida, Cunha e Silva faz um breve balanço aos 14 anos de trabalho no Executivo. “É um sentimento de dever cumprido. Nós contribuímos, no nosso ciclo, para o desenvolvimento da Região. Fizemos o que pudemos num período difícil”, disse, referindo-se ao cenário de crise económica que se instalou a partir de 2008, que acabou por atingir a Madeira.
Esta quinta-feira, a equipa de Alberto João Jardim esteve reunida pela última vez em Plenário de Governo, ato que o Vice-presidente confessou ter tido a honra e o privilégio de presidir.

O último ato oficial de Cunha e Silva será esta sexta-feira, com a visita às obras da Frente Mar, decorrente da intempérie de 20 de fevereiro de 2010. Uma obra tutelada pela Vice-Presidência e que cavou o fosso entre Miguel Albuquerque, na altura presidente da Câmara Municipal do Funchal, e o Governo de Jardim. Recorde-se que, perante a oposição da autarquia a obras de grande envergadura nos troços terminais das Ribeiras de Santa Luzia e João Gomes, por questões de segurança da cidade, o Executivo madeirense chamou a si a execução do projeto de recuperação da baixa citadina, deixando à autarquia um “papel residual”, conforme se pode ler no parecer da CMF de 13 de abril de 2011.
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