Alimentação na Madeira exige resposta integrada, defende Sílvia Sousa Silva

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A deputada do PS na Assembleia Legislativa da Madeira, Sílvia Sousa Silva, alertou para a necessidade de uma estratégia regional de alimentação que vá da produção ao consumo, numa altura em que mais de 60% da população madeirense tem excesso de peso ou obesidade. A alerta foi feito no âmbito das Jornadas Parlamentares do PS subordinadas ao tema “Saúde Sem Barreiras”.

“Não é possível trabalhar e obter bons resultados com um rácio de um nutricionista por cada 12 mil habitantes, quando mais de 60% da população madeirense tem excesso de peso”, sublinhou Diana Silva, nutricionista e presidente da Delegação Regional da Ordem dos Nutricionistas na Madeira, durante a iniciativa. A responsável defendeu o reforço dos nutricionistas no Serviço Regional de Saúde, referindo que a Região esteve quase dez anos sem contratar profissionais da área.

Prevenção começa no prato

Para Sílvia Sousa Silva, a alimentação não pode ser encarada apenas como uma questão individual, mas como um determinante central da saúde pública. A deputada socialista defende uma resposta transversal, que articule agricultura, educação, ação social, autarquias e saúde, com vista à prevenção de doenças como a obesidade, a diabetes, as doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.

“Poderia uma Estratégia Regional de Alimentação, da produção ao consumo, salvar milhares de vidas?”, questionou a parlamentar, ao defender que a promoção da alimentação saudável deve estar no centro das políticas públicas regionais. A posição do PS assenta na ideia de que investir em prevenção permite reduzir, a médio e longo prazo, o peso da doença crónica e os custos para o Serviço Regional de Saúde.

Refeições escolares em causa

Um dos pontos centrais da intervenção foi a qualidade das refeições servidas nas escolas. Sílvia Sousa Silva criticou o facto de as aquisições continuarem a ser orientadas, segundo a deputada, pelo preço mais baixo, em vez de integrarem critérios de saúde, nutrição, ambiente e proximidade.

“Não deveriam as refeições escolares integrar critérios de saúde e ambiente, em vez de ser adquiridas pelo preço mais baixo, promovendo a saúde das nossas crianças, adultos mais tarde e, em última instância, a esperança média de vida da população madeirense?”, questionou a deputada. Na resposta, Diana Silva considerou que esse deve ser o caminho, alertando que não é possível garantir qualidade no prato das crianças com refeições de 1,50 euros.

O PS propõe que os cadernos de encargos das refeições escolares e de outras cantinas públicas passem a incluir critérios ambientais e de saúde, privilegiando produtos frescos, de época, de proximidade e de menor impacto ambiental. A formação política defende ainda a utilização do regime específico de contratação pública para o fornecimento de bens agroalimentares de agricultura familiar, de modo a aproximar pequenos produtores regionais da Administração Pública.

Produção local e saúde pública

Para a deputada socialista, a aposta em produtos regionais nas cantinas públicas pode gerar benefícios simultâneos para a saúde, para a economia local e para o ambiente. Além de promover uma alimentação mais fresca e nutritiva, a medida permitiria valorizar a agricultura madeirense, reduzir custos logísticos e apoiar pequenos produtores.

“O Governo Regional tem uma oportunidade única de promover a saúde pública, poupando depois nos custos da doença”, sustentou Sílvia Sousa Silva, defendendo que a alimentação saudável deve ser uma prioridade nas escolas, lares, hospitais e demais equipamentos públicos.

Um problema que não pode esperar

Diana Silva sublinhou que a resposta exige uma aposta séria na prevenção, com intervenção na educação, no setor social e no poder autárquico. A representante da Ordem dos Nutricionistas considerou insuficiente o atual rácio de um nutricionista por cada 12 mil habitantes, num contexto de prevalência elevada de excesso de peso na população.

A mensagem deixada nas Jornadas Parlamentares do PS foi clara: sem mais nutricionistas, sem uma estratégia alimentar integrada e sem refeições escolares de qualidade, a Madeira continuará a pagar, mais tarde, o custo de não ter prevenido.

Diana Silva, Nutricionista, Presidente da Delegação Regional da Ordem dos Nutricionistas, na Madeira
Diana Silva, Nutricionista, Presidente da Delegação Regional da Ordem dos Nutricionistas, na Madeira

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