AF!
Como Terapeuta da Fala uma das casuísticas que aparece em consulta são cérebros disléxicos.
Um cérebro disléxico é para toda a vida. É importante sublinhar com um marcador de cor florescente: a dislexia não é um problema de inteligência. A dislexia é explicada por várias abordagens que não estão alinhadas. E como na estrada da vida temos a opção do livre arbítrio e consequentemente, o poder da escolha e da decisão podemos decidir equilibrar estas abordagens que estão desalinhadas, num cérebro disléxico.
A dislexia afecta o cérebro em 3 áreas: processamento fonológico (localizado na região inferior frontal); na área da análise das palavras (região parietal temporal) e na leitura automática (região occipital temporal).
A dislexia não é um problema de visão. É uma dificuldade no processamento da linguagem. Não é ver as letras ao contrário. É uma dificuldade na correspondência dos sons aos símbolos. Não é preguiça ou falta de desmotivação. É um cérebro a processar a leitura de forma diferente.
Se a escolha e decisão for equilibrar e maximizar as diferentes abordagens que não estão alinhadas, como: o autocontrolo, a linguagem, a escrita, a ortografia, a atenção, as funções executivas e a consciência fonológica, garanto-lhe caro leitor que o que caracteriza a dislexia, como dificuldade em distinguir esquerda-direita; dizer as horas; memorizar as datas; dificuldade na coordenação motora; dificuldade em organizar-se e manter o foco e dificuldade na distinção dos pares mínimos e através da implementação e da aprendizagem de métodos de ensino diferentes fará da dislexia (organização cerebral diferente) uma característica única e excepcional de vida.
A boa notícia: quase sempre o problema não é estar no meio de um mundo tão desequilibrado, é encontrar “alguma coisa” no cérebro desorganizado e consegui-lo pô-lo a aprender – neuroplasticidade – com intervenções adequadas e individualizadas podem modificar o funcionamento das redes cerebrais. É um desafio.
Continuem a treinar sim, a treinar porque exercícios que exigem atenção e coordenação criam janelas temporais de maior presença, concentração e percepção corporal. Os músculos são partes ativas da fisiologia sistémica, logo também enviam sinais para o cérebro e o exercício físico uma vez mais declara o seu lugar relevante.
Talvez já saiba que, a Dislexia está associada a factores genéticos, neurobiológicos e ambientais. Já eu, quiçá não saiba e por isso permita-me caro leitor, estou associada a uma sintaxe emocional de cruzar a linguística, a psicologia e a literatura para explicar como a estrutura das nossas frases refletem o nosso estado de vida através da forma como organizamos a ordem das palavras.
Acredito que as provas e os resultados são importantes e ensinar os conteúdos é essencial. No entanto, formar pessoas preparadas para a vida é ir mais além. Sair do básico e encontrar nos ângulos da vida o imprescindível.
Talvez atravessar as fronteiras cerebrais seja a maior montanha russa mas também seja a maior grandeza humana. E ainda bem.
Drª. Luísa Maria
Terapeuta da Fala
Especialista em Miofuncional Orofacial
Contactos:
Insta: luisamariaterapeutadafala
Facebook: Luísa Maria Terapeuta da Fala
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




