Rui Marote
A 12 de Junho de 2026, o Funchal Notícias publicava “Governo queria devolver solares e quintas à população:mas a alienação está a ser o caminho”.
Publicamos os parágrafos respeitantes à “Quinta das Maravilhas” que está ser consumida pelo fogo.
“Na senda das antigas quintas e solares que estão a desaparecer, percorremos a Rua dos Ilhéus, zona que no passado albergava muitas quintas: Quinta dos Ilhéus, Quinta Dias, Quinta das Fontes… com jardins impressionantes, onde artistas e viajantes do século XIX se hospedavam e pintavam a paisagem. Várias delas ainda persistem, tendo hoje algumas mudado de mãos dos antigos proprietários privados para, por exemplo, imobiliárias. Mas o nosso objectivo era outro neste percurso: chegar à Quinta das Maravilhas, situada na rua com o mesmo nome, no Funchal.
Este é um bem cultural que historicamente serviu como residência oficial do Cônsul da Noruega na Madeira.
A propriedade reflecte a era dourada das quintas madeirenses dos séculos XVIII e XIX, períodos marcados pela forte fixação de comunidades e diplomatas estrangeiros na ilha.
Os principais elementos históricos que definem o património da quinta incluem a arquitectura senhorial, sendo que a casa principal preservava os traços da arquitectura tradicional com materiais nobres regionais, tectos altos e janelas amplas. Capela Privada: a propriedade integrava ainda uma antiga capela histórica, elemento típico das grandes famílias da aristocracia da época. Jardins Românticos: Os seus extensos terrenos seguiam o conceito do “gosto pelo natural”, influenciados pelos icónicos jardins botânicos britânicos, valorizando a vista sobre o anfiteatro do Funchal.
Do passeio contemplámos a terraplanagem já em curso e fotografamos os editais afixados.
É a nossa história que está em jogo e veio à baila a Lei de Lavoisier, “Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”… Uma célebre frase que resume a Lei da Conservação da Massa formulada pelo químico francês Antoine Lavoisier em 1775, estabelecendo que, num sistema fechado, a matéria não pode ser criada nem destruída; apenas se altera.
Nasce portanto presentemente um empreendimento residencial exclusivo localizado na Rua das Maravilhas, em São Martinho (Funchal). O projecto transforma uma propriedade histórica numa área de 13.260 m² numa zona de habitação contemporânea, prometendo manter a traça madeirense tradicional.
Serão apenas 30 unidades, divididas entre apartamentos e moradias (isoladas, geminadas ou em banda). Disponíveis em T2, T3 e T4. Mais de 6.000 m² de jardins, piscina comum e ginásio. A obra prevê a recuperação da antiga capela da quinta e vistas panorâmicas sobre a cidade e as montanhas.
É a “economia a trabalhar”. O dinheiro que circula, a criação de emprego e as decisões das empresas ditam o poder de compra e o bem-estar de todos nós, quer queiramos quer não.
Para terminar a história restam-nos sobre o tema os livros da autoria de Marjorie Hoare (autora de “The Quintas of Madeira: Windows into the Past”) e de Susana Ribeiro Pereira (autora de “A História das Quintas da Madeira”). Outro destaque é a investigadora Maria Lamas, que dedicou um capítulo marcante ao tema. Também Rui Campos Matos se debruçou, como investigador sobre “As Origens do Turismo na Madeira ─ Quintas e Hotéis do Acervo da Photographia Museu ─ “Vicentes”, unindo estas propriedades ao património turístico. E Brígida Homem Gouveia, autora de “As Quintas da Madeira, Na Projecção do Séc. XIX Europeu”, uma análise académica aprofundada da sua importância histórica. Pelo menos ficarão os registos.”
Para a história ficam as fotografias do Museu Vicentes.
Hoje um incendio urbano de grandes proporções atingiu a Habitação da Quinta das Maravilhas no Funchal
mobilizando de forma urgente as duas corporações de bombeiros do município
O fogo, que gerou grande aparato na zona, provocou danos estruturais graves no edifício afetado, incluindo o colapso e desabamento do teto da habitação.
Esta a decorrer no Funchal o Dia do Património Imaterial durante uma exposição no dia de ontem na Torre do Capitão o Secretário Regional do Turismo Ambiente e Cultura Eduardo de Jesus considerou :- a salvaguarda deste património é fundamental para preservar a identidade da Madeira.
“É um património vivo, que só permanece se houver quem o pratique, quem o valorize e quem o transmita às novas gerações”, sublinha o governante.
O empreendimento desenvolvido em parceria com a Pestana Residences, o projeto reinterpreta o conceito tradicional de habitar uma quinta madeirense combinando arquitetura contemporânea com a preservação da natureza.
O terreno estende-se por mais de 13.000 metros quadrados, dos quais mais de 6.000 metros quadrados são dedicados a áreas verdes, jardins amplos e árvores antigas. Dispõe de piscina, amplas zonas sociais e a reabilitação da antiga capela (dessacralizada) para a criação de um ginásio e espaço lounge.
Legado madeirense, conforto contemporâneo Erguida numa quinta com legado, a Quinta das Maravilhas Residences alia jardins, privacidade e luz a uma arquitetura contemporânea que honra a tradição de habitar uma quinta madeirense. com serenidade, design e qualidade de vida.
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