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Regina, Canadá — Em uma antiga loja no centro de Regina, na província de Saskatchewan, famílias em situação de vulnerabilidade atravessam corredores com carrinhos, escolhem frutas, pães, proteínas e itens de despensa — e saem sem pagar nada. O espaço é o BMO Asahtowikamik Community Food Hub, inaugurado em agosto de 2024 pelo Regina Food Bank como uma experiência de mercado gratuito para seus clientes.
A proposta rompe com o modelo tradicional dos bancos de alimentos, no qual as pessoas recebem cestas prontas, muitas vezes sem poder decidir o que levam para casa. No Community Food Hub, o atendimento acontece em um ambiente semelhante ao de um supermercado, com prateleiras, refrigeradores expostos e um fluxo de compras que termina em um caixa — embora os produtos sejam gratuitos.
Dignidade por meio da escolha
A mudança central é permitir que cada família selecione alimentos de acordo com suas preferências, restrições médicas, alergias e tradições culturais. Segundo o Regina Food Bank, foi a primeira vez em 40 anos que seus clientes puderam escolher os alimentos de que precisam.
O nome “Asahtowikamik”, em língua cree, significa “abrigo de alimentos”, e o projeto também oferece programas de nutrição e educação financeira, além de priorizar produtos cultivados e processados em Saskatchewan.
Para a organização, o formato busca reduzir o estigma associado ao recebimento de ajuda. Em vez de um balcão de distribuição, a pessoa vive uma experiência de consumo parecida com a de qualquer outro morador da cidade.
Demanda crescente
A iniciativa surge em um momento de pressão sobre a segurança alimentar no Canadá. O Regina Food Bank afirma atender mais de 17 mil pessoas por mês, e mais de um terço delas são crianças, segundo a presidente e CEO da entidade, Mary Weimer.
Em 2026, o Hub já havia atendido 9.240 famílias, de acordo com dados divulgados pelo próprio banco de alimentos. A entidade lançou ainda uma campanha para arrecadar 400 mil dólares canadenses e alimentos, com a meta de fornecer 1 milhão de refeições até 30 de outubro.
Um modelo em expansão
O projeto foi construído com doações privadas, incluindo 1 milhão de dólares canadenses da empresa Mosaic, já que bancos de alimentos não recebem subsídios governamentais para sua operação.
Apesar de parecer aberto ao público, o acesso continua restrito: é necessário ser cliente cadastrado do Regina Food Bank e agendar uma visita, que pode ocorrer a cada duas semanas. Ainda assim, o formato é considerado um marco no país por transformar a assistência alimentar em uma experiência de autonomia, e não apenas de distribuição.
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