14 de outubro: Dia Internacional dos Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE)

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A 14 de outubro assinala-se o Dia Internacional dos Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE), uma data que não deve ser vista apenas como uma efeméride ambiental, mas como um aviso sobre o ritmo insuficiente da recolha e reciclagem do lixo eletrónico. Na União Europeia, quase metade destes resíduos ainda não é recolhida e apenas cerca de 40% é reciclada.

Uma meta que a Europa não está a cumprir

A Diretiva REEE obriga os Estados-membros a recolher, anualmente, o equivalente a 65% do peso médio dos equipamentos elétricos e eletrónicos colocados no mercado nos três anos anteriores; em alternativa, alguns países podem adotar a meta de 85% dos resíduos gerados no próprio ano.

Apesar de a meta de 65% vigorar desde 2019, em 2022 a taxa média de recolha na UE foi de apenas 40,6%. Nesse ano, somente a Bulgária, a Letónia e a Eslováquia atingiram o objetivo, e a Comissão Europeia reconhece que a maioria dos Estados-membros continua fora da meta.

Em 2023, a taxa média de recolha na UE foi de 37,5% e, novamente, apenas três países cumpriram os 65%. Estes números mostram que o problema não é a falta de legislação, mas a dificuldade em transformar regras em sistemas eficazes de recolha, tratamento e reciclagem.

O caso português

Portugal ilustra a urgência do desafio. Em 2024, o país recolheu e tratou apenas 32% dos REEE, menos de metade da meta europeia de 65%, segundo dados oficiais da Agência Portuguesa do Ambiente citados pela associação ambiental Zero.

A associação critica ainda a decisão de fixar, em 2025, uma meta nacional provisória de apenas 40%, adiando o cumprimento dos 65% para 2030. Para as organizações ambientais, este adiamento reduz a pressão sobre produtores, gestores de resíduos e poder público num momento em que a recolha deveria acelerar, não abrandar.

Por que a reciclagem não pode esperar

Cada equipamento não recolhido representa três perdas simultâneas:

  • Risco ambiental e sanitário: aparelhos contêm substâncias perigosas que podem contaminar solos e águas quando descartados incorretamente.

  • Desperdício de recursos: metais, plásticos e componentes valiosos deixam de regressar à cadeia produtiva.

  • Falha na economia circular: a UE precisa de aumentar a recolha para transformar resíduos em matérias-primas secundárias e reduzir a dependência de recursos importados.

A reciclagem correta dos REEE não é um gesto opcional: é uma condição para cumprir metas europeias, proteger a saúde pública e tornar o consumo tecnológico mais sustentável.

O que é preciso fazer

Cumprir a meta de 65% exige ação coordenada e imediata:

  • Reforçar os pontos de recolha em lojas, escolas, câmaras municipais e ecocentros.

  • Garantir que consumidores possam devolver gratuitamente equipamentos antigos ao comprar novos.

  • Combater o abandono, o armazenamento doméstico prolongado e o encaminhamento ilegal de resíduos.

  • Priorizar reparação e reutilização antes da reciclagem, prolongando a vida útil dos equipamentos.

  • Aumentar a transparência e a responsabilização de produtores e entidades gestoras.

Uma responsabilidade partilhada

O Dia Internacional dos REEE deve servir para transformar consciência em ação. A meta europeia já está definida; o que falta é garantir que os equipamentos cheguem aos circuitos corretos de recolha e tratamento. Entregar um telemóvel, um carregador, um pequeno eletrodoméstico ou um cabo num ponto de recolha é uma decisão pequena — mas essencial para aproximar Portugal e a Europa das metas que já deveriam estar cumpridas.


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