
No mês em que se assinala o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), o Núcleo Museológico “O Lyceu” destaca um antigo conjunto de loiça da cantina do Liceu Jaime Moniz, produzido pela Fábrica de Loiça de Sacavém, na segunda metade da década de 1940.
Composto por uma chávena e respetivo pires em faiança branca, decorados com uma barra azul e o emblema da Mocidade Portuguesa, ladeado pelas letras estilizadas «L» e «F» (Liceu do Funchal), este conjunto evoca uma dimensão frequentemente esquecida da vida escolar: a alimentação dos alunos.
No contexto do Estado Novo, as cantinas escolares ganharam importância, cabendo às delegações da Mocidade Portuguesa assegurar refeições a preços acessíveis e apoiar os estudantes com maiores dificuldades económicas.
Nas décadas de 1940 e 1950, a cantina utilizava também produtos da horta, dos pomares e das colmeias da escola na preparação das refeições servidas a alunos, professores e funcionários.
A criação da cantina era uma antiga aspiração da comunidade escolar. Já no Anuário de 1931-1932, o reitor, Dr. Ângelo Augusto da Silva, alertava para a necessidade deste serviço, uma vez que muitos alunos residiam longe e se alimentavam deficientemente, salientando a importância da alimentação para o desenvolvimento físico e intelectual dos jovens.
A cantina só abriu em outubro de 1945, após sucessivos atrasos na entrega do equipamento e da loiça necessários ao seu funcionamento.
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Nota:
Pesquisa, texto e registo fotográfico: Lília Castanha
Coleção: ESJM — Núcleo Museológico “O Lyceu”
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