Doces armadilha: gomas com THC à vista de crianças provocam intoxicações graves e coma

AF!

Por que são perigosas

  • Parecem inofensivas: as gomas imitam marcas e formatos de doces comuns, com cores e cheiros familiares, o que facilita a ingestão acidental por crianças.

  • Dose pensada para adultos: uma única goma pode conter cerca de 10 mg de THC ou mais, quantidade suficiente para provocar intoxicação grave num criança.

  • Efeitos clínicos: podem surgir vómitos severos, sonolência excessiva, falta de coordenação, alterações da perceção, taquicardia, problemas respiratórios e, em casos graves, coma.

  • Derivados mais potentes: alguns produtos contêm THC‑P, um canabinoide com efeitos psicoativos potencialmente mais intensos, aumentando o risco de reações graves.

O que dizem as autoridades em Portugal

A PSP emitiu alertas públicos e comunicou diretamente a escolas (pelo menos na região de Lisboa) após o caso da criança em coma, sublinhando que “uma única goma pode causar intoxicações graves, vómitos e/ou problemas respiratórios” numa criança. As recomendações incluem:

  • Manter estes produtos fora do alcance e da vista das crianças, idealmente trancados.

  • Não consumir produtos de origem desconhecida e verificar sempre rótulos e composição.

  • Alertar os mais velhos para não aceitarem doces de desconhecidos ou encontrados.

  • Em caso de suspeita de ingestão, não esperar pelos sintomas e ligar de imediato ao 112.

Contexto internacional

Nos EUA, as intoxicações acidentais por comestíveis de canábis em crianças dispararam na última década, com aumentos de milhares de percentagem nas chamadas a centros de intoxicação entre 2009 e 2024. Estudos indicam que uma parte significativa das crianças expostas a derivados como o delta‑8 precisou de internamento, alguns em cuidados intensivos, por hipotensão, dificuldade respiratória e necessidade de soro.

O que fazer em caso de suspeita

  • Ligar imediatamente ao 112 se a criança apresentar sonolência extrema, dificuldade respiratória, vómitos persistentes ou perda de consciência.

  • Guardar a embalagem para ajudar os profissionais a estimar a dose ingerida.

  • Não provocar o vómito por iniciativa própria e seguir as instruções dos serviços de emergência.


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