O líder parlamentar do PS-M defendeu, hoje, a necessidade de uma justa distribuição da riqueza na Região, alertando para as crescentes desigualdades e para as dificuldades sentidas por muitas famílias com o aumento do custo de vida.
Encerrando as Jornadas Parlamentares do PS, subordinadas ao tema ‘Custo de vida na Madeira: respostas para quem cá vive’, Paulo Cafôfo chamou a atenção para o facto de os rendimentos dos madeirenses serem incompatíveis com os preços da habitação. Conforme adiantou, a remuneração média na Madeira é inferior em 87 euros relativamente ao continente e a remuneração mediana situa-se nos 1.116 euros.
Segundo o socialista, quase metade dos trabalhadores da Região aufere este rendimento, que não lhes permite acederem à habitação. Perante a realidade em que vivem muitas famílias, perguntou “como é que se consegue arrendar um apartamento de 80 metros quadrados no Funchal”, quando o valor médio ronda os 1.300 euros.
O líder da bancada parlamentar socialista criticou o modelo seguido, que levou a estes constrangimentos, e lembrou que, na última década, os preços das rendas subiram mais do que os salários.
Em tom crítico, recordou, aliás, as declarações proferidas em 2023 por Miguel Albuquerque, em que se congratulava com o facto de nunca como então se venderem terrenos a preços tão altos na Madeira e construírem tantas casas para estrangeiros.
Na sua alocução, Paulo Cafôfo reportou-se também aos indicadores económicos da Região para defender uma mais justa distribuição da riqueza. “Quando o PIB sobe 86%, mas os rendimentos sobem 39%, há qualquer coisa que não está a bater certo. E isto reflete-se muito na questão da habitação”, observou.
O líder parlamentar socialista sublinhou que o PS tem vindo a apresentar várias propostas para responder ao drama da habitação, entre as quais a construção de mais habitação pública e a preços acessíveis e uma maior aposta na modalidade de renda resolúvel, desafiando o Governo a aceitar estes contributos. “Não faltam soluções. Falta é vontade política para isto andar para a frente”, declarou ainda.
O deputado apontou igualmente o facto de a Madeira ter, há quase três anos consecutivos, a inflação mais alta do País, mas os madeirenses terem os salários mais baixos.
Alertou, por outro lado, para a necessidade de baixar o IVA, lembrando que o diferencial fiscal de 30% não está a ser aplicado. Algo que só não acontece por decisão do Governo Regional, que apenas está interessado em arrecadar receita.
Ainda neste campo, defendeu a neutralidade fiscal nos combustíveis, sublinhando que tal não poria em causa as contas públicas. A título de exemplo, referiu que, no primeiro semestre deste ano, o Governo Regional arrecadou mais 24 milhões de euros de IVA e mais 23% de ISP do que em igual período do ano passado.
Paulo Cafôfo não pretende um “Governo de gestão da realidade”, mas que “possa transformar a realidade e melhorar a vida das pessoas”. “Faz falta uma alternância democrática”, concluiu.
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