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O AliExpress está no centro de uma polémica após ter sido associado a uma técnica de fingerprinting baseada em áudio, aparentemente concebida para identificar dispositivos e navegadores mediante sinais inaudíveis. A descoberta ganhou força devido a um detalhe quase cómico: um programador percebeu que os seus auscultadores Bluetooth deixavam de alternar entre o computador e o telemóvel sempre que tinha o sítio web da loja aberta no navegador.
O que parecia um problema técnico banal revelou-se, afinal, uma pista para algo bem menos inocente. Segundo as descrições já publicadas, o sítio web recorria ao Web Audio API para gerar e analisar sinais silenciosos, construindo uma espécie de impressão digital do dispositivo com base na forma como o sistema processa esse áudio. Em linguagem simples: sem pedir licença, o sítio web estaria a recolher sinais técnicos do navegador e do hardware para fins de identificação.
A situação levanta duas questões incómodas. A primeira é a óbvia: até que ponto uma loja virtual precisa de recorrer a este tipo de engenharia para “reconhecer” os visitantes? A segunda é ainda mais desconfortável: quantas outras páginas estarão a fazer o mesmo, com a mesma discrição e a mesma eficácia?
O caso mostra como certas práticas de rastreamento continuam a avançar na penumbra da web, por vezes mascaradas de medidas antiabuso ou mecanismos de segurança. Mas, quando o preço da conveniência é transformar o navegador num instrumento de vigilância silenciosa, a linha entre proteção e intrusão começa a ficar perigosamente turva.
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