JPP quer solução para os maus cheiros junto à ETAR do Lazareto

O JPP voltou esta segunda-feira ao Lazareto para alertar para a persistência das queixas de maus odores na envolvente da ETAR e exigir à Câmara Municipal do Funchal esclarecimentos sobre a origem da situação, as medidas adotadas desde as primeiras reclamações e, sobretudo, uma solução efectiva para um problema que, mais de um ano após a inauguração da infraestrutura, continua a afectar a qualidade de vida dos moradores.

A deputada municipal e líder da bancada do JPP na Assembleia Municipal do Funchal, Isabel Santos, foi a porta-voz, durante uma conferência de imprensa realizada no Miradouro do Lazareto, depois de uma auscultação aos moradores daquela zona.

“Estamos hoje no Lazareto porque, mais de um ano depois da inauguração desta ETAR, continuam a existir queixas dos moradores sobre os maus odores sentidos nesta zona. E este não é um problema recente”, declarou.

A ETAR do Lazareto foi inaugurada em Junho de 2025 e, poucos meses depois, em Outubro, já eram públicas queixas relacionadas com os odores sentidos na zona, tendo a própria Câmara Municipal do Funchal reconhecido, na altura, a existência pontual de episódios de mau cheiro.

“Estamos em Agosto de 2026. Por isso, a pergunta é simples: se este era um problema pontual, associado a uma fase inicial de funcionamento e de ajustamentos da nova ETAR, por que razão continua, passados tantos meses, a afectar quem aqui vive?”, interroga-se Isabel Santos.

Antes da conferência de imprensa, o JPP esteve no terreno a ouvir directamente os moradores, procurando conhecer de que forma o problema se tem refletido no seu quotidiano.

Os moradores relataram que devido à intensidade dos maus odores evitam abrir as janelas, deixaram de usufruir das varandas e quintais e, em alguns casos, até de convidar familiares e amigos para as suas casas, afirmando sentir-se “encerrados” nas próprias habitações. No local, o cheiro era perceptível, tendo uma moradora convidado inclusive os elementos do JPP a entrar em sua casa e a deslocarem-se à varanda para testemunharem diretamente a intensidade do odor. Alguns residentes admitiram ainda ponderar vender as suas habitações caso o problema não seja resolvido em breve.

“Estamos a falar de uma situação que interfere com a vida quotidiana das pessoas: abrir as janelas de casa, utilizar uma varanda ou um quintal, ou tão-somente permanecer na sua própria habitação sem este incómodo”, afirmou a deputada municipal.

Isabel Santos diz ainda que esta não é a primeira vez que o JPP manifesta preocupação relativamente à ETAR do Lazareto. Em Março, os vereadores do partido na Câmara Municipal do Funchal já tinham pedido esclarecimentos sobre a infraestrutura, nomeadamente quanto à sua capacidade e adequação futura.

“Hoje, porém, estamos aqui por uma questão muito concreta: a qualidade de vida dos moradores”, sublinhou.

Para o JPP, perante a persistência das queixas, cabe à Câmara Municipal esclarecer de forma objetiva o que está a acontecer e quais as medidas previstas para resolver a situação.

“Qual é a origem destes episódios de mau cheiro? O que foi feito desde as primeiras queixas? Os sistemas destinados ao controlo dos odores estão a funcionar conforme previsto? E, sobretudo, o que vai ser feito e em que prazo?”, questionou a líder da bancada municipal.

A deputada municipal diz que o tempo entretanto decorrido torna necessária uma resposta clara por parte da autarquia, quer sobre as causas dos episódios relatados, quer sobre as medidas que tenham sido ou venham a ser adotadas.

“Não faz sentido que um problema considerado pontual em Outubro de 2025 continue a ser relatado em Agosto de 2026 sem uma explicação clara e sem uma solução”, afirmou.


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