A Juventude do Juntos Pelo Povo (JJPP) previu esta quarta-feira “momentos de angústia e muitas dores de cabeça” para as famílias madeirenses com filhos que vão ingressar, pela primeira vez, numa universidade do continente. O motivo desta preocupação está relacionado com “o preço escandaloso a que estão actualmente as viagens aéreas para o território continental”, denunciam.
Num encontro com a comunicação social esta quarta-feira, o jovem estudante de medicina e elemento dos quadros da JJPP, Nino Pereira, explicou que, neste mês de Agosto, as companhias aéreas estão a exigir entre 600€ a 700€ por uma viagem de ida e volta entre a Madeira e o continente.
“Tendo como referência estes preços, confirmados por pessoas que compraram viagens na TAP para a próxima semana, o jovem e o familiar que o acompanhar ao continente, nos próximos dias, para tratar da matrícula e de toda a logística inerente a esta nova fase da sua vida, com destaque para a habitação, essas duas pessoas têm de disponibiizar entre 1.200 a 1.400 euros apenas para as viagens de avião, o que corresponde, em termos práticos, a um mês de ordenado bruto de um madeirense”, contextualizou o futuro médico.
“Isto é um insulto”, considerou Nino Pereira: “É também um drama social. Estamos a falar de uma exigência financeira completamente irrealista para a generalidade das famílias madeirense face aos salários que usufruem. Esta questão vai atingir centenas de jovens que ainda não têm certificado de matrícula e por isso mesmo ficam de fora da plataforma Estudante Insular. Pagam, para já, o valor da passagem como qualquer residente e só depois recebem o reembolso que, como tem sido público, leva semanas para ser pago”.
Este jovem quadro do JPP é de opinião que as alterações feitas ao agora Mecanismo de Continuidade Territorial (MCT) pelo Governo da República “com o apoio total do Governo Regional da Madeira, é um péssimo exemplo de como o Estado trata os residentes nas Regiões Autónomas”.
Estranha, igualmente, que o executivo regional liderado pelo PSD-CDS “tenha apoiado incondicionalmnte o Governo Central nesta enorme confusão, para agora ouvirmos o presidente do Governo Regional considerar a plataforma uma cangalha”, perguntando: “Em que ficamos? Era tudo tão bom, apoiaram as novas medidas e agora discordam delas? É claramente uma tentativa para fugir à responsabilidade que tem nesta matéria e às críticas legítimas da população, mas é fundamental que a população não tenha memória curta, nem premeie quem não merece”.
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