Iniciativa Liberal alerta para problemas que os jovens enfrentam na Região

A Iniciativa Liberal assinala o Dia Internacional da Juventude com um alerta para os vários obstáculos que continuam a dificultar a vida dos jovens, mas também com uma mensagem de confiança: é possível fazer vida na Madeira, mas é preciso criar condições para que ficar na Região seja uma escolha e não um sacrifício, alerta.

No entanto, a realidade mostra que a Região está a perder população jovem e que estes enfrentam dificuldades em aceder a uma habitação, encontrar emprego qualificado e construir um projeto de vida. Para a IL, este não é um destino inevitável. É o resultado de escolhas políticas que podem e devem ser alteradas.

Os dados mais recentes mostram que este é um desafio que já não pode ser adiado. Em 2025, a população com menos de 15 anos representava apenas 11,7% da população residente, num total de 31.261 jovens. Ao mesmo tempo, existiam cerca de 6.000 jovens entre os 16 e os 34 anos que não estavam empregados, a estudar ou em formação (NEEF), dos quais 50,3% estavam desempregados e 49,7% eram considerados inactivos.

Para o partido, estes números devem ser encarados como um sinal de alerta, mas também como um desafio político que pode ser transformado numa oportunidade.

“A Madeira não pode resignar-se a ser uma Região onde os jovens estudam, começam a trabalhar e depois são obrigados a partir para conseguirem ter uma vida que lhes permita pagar uma casa, constituir família e ter perspetivas de futuro. O nosso objectivo deve ser exatamente o contrário: queremos que um jovem possa olhar para a Madeira e encontrar aqui as mesmas oportunidades que encontraria no Continente ou noutra região da Europa”, afirma Gonçalo Maia Camelo, deputado da Iniciativa Liberal na ALRAM.

Nesse sentido, considera que uma das maiores barreiras à autonomia dos jovens continua a ser o acesso à habitação. Na Madeira, o preço médio dos imóveis para venda atingiu 3.762 €/m2, em julho de 2026, enquanto o arrendamento se situou nos 16,2 €/m2.

Para um jovem que inicia a sua vida profissional, estes valores representam uma dificuldade real em sair de casa dos pais, constituir família ou simplesmente escolher viver e trabalhar na Região.

“A habitação é talvez o exemplo mais evidente de uma geração que está a trabalhar para sobreviver, mas que tem cada vez mais dificuldade em construir património e autonomia. Não podemos dizer aos jovens para ficarem na Madeira quando lhes estamos a dizer, na prática, que uma casa é um luxo”, refere o deputado liberal.

Outro aspecto que não pode ser ignorado é o peso da carga fiscal e, sobretudo, a sustentabilidade do sistema de pensões. Para uma geração que começa agora a trabalhar, a questão não é apenas quanto paga hoje em impostos, mas também aquilo que poderá esperar receber amanhã.

As projeções da Comissão Europeia apontam para uma redução significativa da taxa de substituição das pensões em Portugal. Um trabalhador que hoje tenha cerca de 35 anos poderá, nas condições projectadas, chegar à reforma por volta dos 70 anos com uma pensão correspondente a apenas cerca de 40% do seu último salário.

“Um jovem que entra hoje no mercado de trabalho tem razões para perguntar se, depois de décadas a descontar, terá uma reforma que lhe permita manter uma vida digna. As gerações mais novas não podem ser obrigadas a pagar cada vez mais por um sistema que lhes promete cada vez menos. Precisamos de crescimento económico, de salários mais elevados e de reformas que deem aos jovens confiança no futuro”, defende Gonçalo Maia Camelo.

A emigração é outra consequência de um problema que ultrapassa a simples decisão individual de partir. Em Portugal, estima-se que cerca de 30% dos jovens com idade entre os 15 e os 39 anos vivam actualmente no estrangeiro.

Embora não exista uma estimativa equivalente para a Madeira, a Região não pode ignorar este fenómeno, sobretudo quando enfrenta simultaneamente uma população jovem cada vez menor.

“Quando um jovem sai da Madeira para procurar uma oportunidade lá fora, não devemos culpá-lo. Devemos perguntar-nos porque é que essa oportunidade não existe cá. E é aí que a política tem de mudar”, afirma Gonçalo Maia Camelo.

Para a IL, a resposta passa por uma mudança de modelo económico e político: menos dependência do Estado, menos burocracia, uma fiscalidade competitiva, mais investimento privado e uma economia capaz de gerar empregos qualificados e salários mais elevados.

A Iniciativa Liberal considera, por isso, que o Dia Internacional da Juventude deve ser mais do que uma data simbólica. Deve servir para discutir que Região se pretende construir para as próximas gerações.

“A nossa mensagem para os jovens madeirenses é uma mensagem de confiança: é possível fazer diferente. Nós queremos uma Madeira onde o sucesso dependa mais do mérito e menos do amiguismo; onde seja mais fácil empreender do que pedir autorização; onde o Estado seja menos omnipresente e a sociedade civil tenha mais espaço para criar. Temos talento, capacidade, uma localização privilegiada e pessoas com vontade de criar, investir e trabalhar. O que falta é um modelo político e económico que não coloque obstáculos constantemente à frente”, conclui.


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