AF!
Na semana de 7 de janeiro de 2008, imediatamente após o WTI ter atingido pela primeira vez os 100 dólares, a gasolina Euro 95 em Portugal apresentava um preço médio de aproximadamente 1,388 €/l, enquanto o gasóleo custava cerca de 1,205 €/l.
Hoje, 7 de agosto de 2026, o WTI está em cerca de 78,84 dólares por barril e o Brent, referência mais relevante para o mercado europeu, ronda 83,48 dólares. Para a semana de 3 a 9 de agosto, as estimativas do ACP apontavam para preços médios próximos de 2,150 €/l para a gasolina 95 e 2,063 €/l para o gasóleo.
Assim, poderia escrever:
Petróleo mais barato, combustíveis muito mais caros
Quando se justifica automaticamente cada subida dos combustíveis com a subida do preço do petróleo, está-se a contar apenas uma parte da história.
Em janeiro de 2008, quando o barril de petróleo atingiu pela primeira vez a barreira histórica dos 100 dólares, um litro de gasolina 95 em Portugal custava cerca de 1,39 euros e um litro de gasóleo cerca de 1,21 euros.
Hoje, o cenário é particularmente elucidativo. O petróleo WTI ronda apenas 79 dólares por barril e o Brent cerca de 83 dólares, portanto sensivelmente 17% a 21% abaixo dos 100 dólares. Ainda assim, a gasolina 95 encontra-se perto dos 2,15 euros por litro e o gasóleo próximo dos 2,06 euros.
Ou seja: desde 2008, enquanto o barril utilizado nesta comparação está mais barato, a gasolina aumentou aproximadamente 55% e o gasóleo cerca de 71%.
Isto não significa que o petróleo deixou de influenciar os preços. Significa que é enganador apresentar o preço do crude como explicação suficiente para aquilo que o consumidor paga na bomba.
Entre o poço de petróleo e a mangueira do posto de abastecimento existe uma longa cadeia de custos: refinação, transporte, armazenamento, incorporação de biocombustíveis, margens comerciais e, sobretudo, fiscalidade.
Aliás, há atualmente outro fator particularmente relevante. A Reuters, citando uma análise do BCE, refere que as margens de refinação europeias estão próximas de máximos históricos, acrescentando aproximadamente 0,35 €/l ao gasóleo e 0,23 €/l à gasolina no contexto recente.
Portanto, dizer simplesmente:
“O combustível subiu porque o petróleo subiu”
é como explicar o preço de um pão apenas pelo preço do trigo. O trigo conta, evidentemente. Mas entre o campo e a padaria existem energia, transformação, transporte, salários, impostos e margens.
No combustível acontece precisamente o mesmo.
Comparação rápida
| Indicador | Janeiro de 2008 | Agosto de 2026 |
|---|---|---|
| Petróleo | ~100 $/barril | WTI ~78,84 $ / Brent ~83,48 $ |
| Gasolina 95 | ~1,388 €/l | ~2,150 €/l |
| Gasóleo | ~1,205 €/l | ~2,063 €/l |
| Variação gasolina | — | +54,9% |
| Variação gasóleo | — | +71,2% |
Há apenas uma precaução metodológica importante: os 100 dólares de 2008 referem-se ao WTI, enquanto, para Portugal e para a Europa, o Brent é normalmente uma referência mais adequada. Por isso, numa peça jornalística, eu evitaria escrever que esta comparação “prova” que o petróleo não determina os preços. O que ela demonstra de forma bastante clara é que a relação entre petróleo e preço na bomba não é direta nem proporcional.
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