Terminou, no passado dia 28 de Março, a IX Volta à Madeira pelo Caminho Real 23, uma iniciativa promovida pela Associação do Caminho Real da Madeira que, ao longo de oito dias, voltou a percorrer este traçado histórico, ligando comunidades, património e pessoas numa experiência única de superação e partilha.
Com partida e chegada no Estreito da Calheta, esta edição voltou a afirmar-se como a mais participada de sempre, reunindo um número recorde de caminheiros. Ao longo de cerca de 200 quilómetros, foram mais de quatro dezenas os participantes que completaram integralmente a Volta, a que se juntaram várias dezenas em etapas específicas, num claro sinal do crescente interesse por esta iniciativa, representando um incremento de 82% no número de participantes.
A IX Volta ficou marcada por uma forte componente de superação física e resiliência, desde logo evidenciada nas exigentes condições meteorológicas dos primeiros dias, com chuva persistente a acompanhar os caminheiros nas “costas de baixo” e nas etapas iniciais. Ainda assim, o espírito de grupo, a entreajuda e a determinação colectiva permitiram ultrapassar cada desafio, reforçando a dimensão humana desta experiência, refere um comunicado.
Ao longo das várias etapas, os participantes tiveram oportunidade de contactar de forma próxima com o património histórico, religioso e cultural da Madeira, visitando igrejas, capelas e locais de interesse que testemunham a identidade das comunidades locais. Em paralelo, a hospitalidade das populações foi uma constante, traduzida em acolhimentos calorosos, partilhas espontâneas e gestos de generosidade que marcaram profundamente esta jornada.
Do ponto de vista territorial, a Volta voltou a cumprir o seu propósito de valorização dos Caminhos Reais enquanto infraestrutura histórica estruturante, promovendo simultaneamente um modelo de turismo sustentável, assente na mobilidade pedonal, na fruição da paisagem e na dinamização da economia local, com impacto directo em várias freguesias e concelhos da ilha.
Entre momentos de maior exigência física, como a travessia “Costa a Costa” de Machico até Santana, a etapa dos “Romeiros do Bom Jesus” ou a longa ligação entre Ponta Delgada e Porto Moniz, momentos imersivos em plena floresta Laurissilva e instantes de contemplação proporcionados pelas paisagens da costa norte e oeste, a IX Volta consolidou-se como uma experiência completa, onde se cruzam natureza, cultura e vivência colectiva.
O último dia, com regresso ao Estreito da Calheta, encerrou simbolicamente um ciclo iniciado uma semana antes, num ambiente marcado pela emoção, pelo sentimento de conquista e pela consciência de que cada participante regressa diferente, mais enriquecido pela experiência vivida.
A Associação do Caminho Real da Madeira expressa um profundo agradecimento a todas as entidades, públicas e privadas, que contribuíram decisivamente para o sucesso desta IX Volta, com especial reconhecimento às autarquias locais pelo apoio institucional, à Diocese do Funchal e às suas paróquias pela forma generosa como acolheram os caminheiros ao longo do percurso, às empresas que se associaram a esta iniciativa e, de forma muito particular, às dezenas de pessoas que, a título individual, ofereceram o seu tempo, apoio e hospitalidade, demonstrando que este Caminho se faz, acima de tudo, de uma extraordinária rede de solidariedade e partilha.
Mais do que uma caminhada, a Volta à Madeira pelo Caminho Real voltou a afirmar-se como um espaço de encontros e reencontros, com a natureza, com os outros e com cada um de nós, reforçando o compromisso da Associação do Caminho Real da Madeira na preservação, valorização e divulgação deste património único.
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