Viagens: ir a Istambul e não navegar no Bósforo é uma experiência incompleta…

Um passeio de barco é a melhor forma de visualizar esta maravilhosa cidade dividida entre Europa e a Ásia. Istambul foi a cidade que elegi como quartel general das minhas deambulações no estrangeiro nos últimos anos, funcionando como plataforma giratória para muitos países da Ásia.
As visitas ao Bósforo tornaram-se já uma rotina, que recentemente voltei a cumprir com agrado. Na minha mente, hoje, estaria abraçar o Tigre e o Eufrates recordando a canção “Rivers of Babylon” dos Boney M, que rememora um episódio bíblico: junto aos rios da Babilónia sentámo-nos e chorámos quando nos lembrámos do Sião”.
Tem a ver este desejo com a viagem que tinha planeada, ao Curdistão, com o desejo de aproximar-me do Iraque, e que foi por água abaixo devido ao recente conflito armado, ao risco e ao cancelamento de voos. Enfim, há que despertar:-Estou no Bósforo em direcção a Kadikoy, com o céu nublado e uma brisa fria incomodativa para quem permanece  ao ar livre. A bandeira turca esvoaça na popa da embarcação.
Imensas gaivotas acompanham o navio. Ocasião para umas imagens calmas que contrastam com os nossos dias perturbados pela guerra. Existe alguma correspondência …? Em tempos de guerra a imagem das “aves dos céus” ganha contrastes fortes e novos significados. Fogem das queimadas, acompanham as populações em fuga, tornam-se, também elas, refugiados, perdendo a seguranca do “ninho”.
“Aves do Céu ” e uma expressão bíblica que se refere aos pássaros, citada por Jesus nos Evangelhos como exemplo da provisão constante e cuidado divino. Eles representam a natureza que não acumula riquezas, “não semeiam nem colhem” e no entanto sobrevivem.
Mas no mundo actual o que voa é sobretudo a tecnologia bélica (mísseis, drones), que atacam os países próximos desta tranquila Turquia onde me encontro por força das circunstâncias.

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