JPP diz que produtores de cana-de-açúcar estão revoltados

Os deputados Juntos Pelo Povo (JPP) estiveram este sábado na Tabua, Ponta do Sol, com produtores de cana-de-açúcar que exprimiram a sua “revolta” para com o “aumento miserável de dois cêntimos Kg no preço da cana” para este ano, anunciado recentemente pelo Governo PSD/CDS.

Os deputados do maior partido da oposição foram recebidos com cartazes onde constavam inscrições elucidativas do descontentamento e da realidade actual da atividade: “1 trabalhador, mais ou menos 80€, 1 saco de adubo mais 27€, 1 litro de aguardente, mais ou menos 25€, 1 poncha 4€, 1 Kg de cana-de-açúcar 0,62 cêntimos.”

Outro cartaz esclarecia: “1.000 Kg de cana-de-açúcar são 100 litros de aguardente, 1.000 Kg de cana-de-açúcar dão 620€ ao produtor, 100 litros de aguardente rendem entre 2.500€ a 3.000€.”

“Na verdade, o que aqui vemos, de forma esclarecida, são contas que evidenciam a escravatura que o Governo impõe aos produtores”, declarou o secretário-geral do JPP. “O partido tem de estar atento à valorização do trabalho destes homens e mulheres que cultivam a cana-de-açúcar e todo o sector, operadores económicos e Governo, têm de pôr a mão na consciência e reconhecer, de uma vez por todas, um preço que valorize e dignifique a produção. O aumento de 2 cêntimos por kg é uma miséria, é gozar com quem trabalha, é escravatura e vai levar ao abandono da produção”, disse Élvio Sousa.

O JPP tem reunido com os produtores e com o sector, tendo apresentado “um preço mais justo” para 2026, que seriam 70 cêntimos por Kg. “Um valor para compensar o trabalho e o esforço destes obreiros, e para fazer face ao aumento de custos associados à produção, nomeadamente mão-de-obra, adubos e água de rega”.

O líder do maior partido da oposição refere que o Governo Regional PSD/CDS “tem a obrigação de reunir, dialogar e negociar com todo o sector, com os engenhos e com os mais de 642 produtores, e fixar um valor justo”.

Élvio Sousa acrescenta que nos últimos anos os produtores têm retirado dinheiro do bolso para fazer face ao aumento das despesas, e alerta que os tempos mais próximos vão, com certeza, agravar a situação. “Infelizmente muitos produtores estão a dizer-nos que vão abandonar a cultura da cana-de-açúcar, vai haver desistências em massa, e aí os operadores e o Governo têm de se chegar à frente. Sem cultura e agricultores da cana, não haverá rum, não haverá aguardente e não haverá mel”, avisa.

O JPP diz que a aguardente de cana é vendida entre 23€ e 37€ por litro (dados obtidos nas lojas garrafeiras e aeroportos), enquanto nos supermercados o preço ronda os 20€ a 25€, valores que evidenciam a discrepância entre o que é pago ao produtor e o valor final de venda do produto.


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