O PCP levou hoje a efeito uma acção de contacto com trabalhadores junto ao Largo do Phelps, no Funchal, para denunciar a intenção do Governo da República PSD/CDS de generalizar a precariedade no mundo do trabalho com a implementação do novo pacote laboral.
Ricardo Lume, dirigente do PCP, referiu que “hoje a precariedade laboral é um dos maiores flagelos que atinge os trabalhadores em geral, mas principalmente os jovens trabalhadores. A precariedade laboral é precariedade da vida. É o não poder exercer direitos laborais com medo de não ver o seu contrato renovado; é, muitas vezes, o adiar de sonhos, como por exemplo ter uma habitação própria, pois os bancos não concedem empréstimos para trabalhadores com vínculos precários. A precariedade laboral é também uma antecâmara do desemprego”.
Ricardo Lume lembrou ainda que a precariedade já é uma realidade profunda na Região Autónoma da Madeira, atingindo de forma particular os jovens que trabalham na hotelaria e restauração, construção civil, telecomunicações e serviços. Os números são reveladores: no ano de 2025, 17.500 trabalhadores na Região tinham um vínculo laboral precário e 3.200 encontravam-se em situação de subemprego. Em dezembro de 2025, 32,6% dos novos desempregados tinham vínculos precários e 35,4% dos desempregados da Região são jovens até aos 34 anos. Estes dados mostram como a precariedade penaliza sobretudo os jovens.
O dirigente comunista denunciou que, em vez de combater este flagelo, o Governo da República PSD/CDS pretende agravá-lo: “Em vez de pôr fim à precariedade, o Governo quer alargar a duração e os motivos para contratos a termo, fomentar a subcontratação e o outsourcing, reduzir a proteção laboral e promover o trabalho temporário e contratos de muito curta duração. Com estas propostas, um trabalhador pode permanecer até nove anos consecutivos com contratos a termo, sem nunca conquistar um vínculo efetivo. Isto é inaceitável.”
Na sua intervenção, Ricardo Lume destacou ainda que os problemas do País e da Região exigem um outro rumo, considerando que a luta dos trabalhadores, do povo e da juventude é determinante para alcançar mudanças.
Concluiu afirmando que ainda é possível travar e derrotar este pacote laboral e abrir caminho a uma política que valorize o trabalho e quem trabalha.
O PCP apela aos trabalhadores, às populações, aos jovens, aos democratas e patriotas para que se mobilizem contra esta política, em defesa dos direitos, da melhoria das condições de vida e por uma alternativa patriótica e de esquerda, assente nos valores de Abril.
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