O Clube de Ecologia Barbusano, da Escola Secundária de Francisco Franco, realizou recentemente mais uma saída de campo. O percurso a pé, de aproximadamente 13 km, teve início no Lombo do Urzal, contemplou uma interessante caminhada ao longo da Levada dos Tornos e terminou numa pequena achada, no sítio dos Lamaceiros (Fajã do Penedo), refere um comunicado de imprensa.
A caminhada principiou aos 500 m de altitude, no pequeno largo ao fim da estrada, seguindo-se a subida de uma vereda, que se estende por entre casas e terrenos agrícolas, até atingir a Levada dos Tornos, aos 650 m. É de destacar o povoamento peculiar da freguesia de Boaventura, que se caracteriza não pelo casario disperso, típico da Madeira, mas antes, pelos aglomerados populacionais, fazendo lembrar os Açores.
O trajecto ao longo da “esplanada” da levada intercepta vários cursos de água, com quedas de água deslumbrantes. Questiona-se se as entidades competentes estão a monitorizar a prática de canyoning nestes locais, para salvaguardar a sua biodiversidade.
No vale da ribeira de João Fernandes, as vistas sobre as cabeceiras deste local são de extraordinária beleza. Quedas de água avistam-se ao longe, “brotando” das imponentes escarpas das montanhas do Maciço Montanhoso Central da ilha da Madeira. As vertentes deste vale são dominadas por uma floresta nativa pujante, marcada pela presença de frondosos tis, vinháticos, loureiros, alguns paus-brancos, e nas zonas mais húmidas, sabugueiros, seiceiros, figueiras do inferno, por entre um manto de fetos e outras plantas indígenas. Na berma do caminho, avistam-se as juvenis orquídeas da espécie Dactylorhiza foliosa e nos taludes, espalmados sobre a rocha, os ensaiões que, mesmo não se encontrando em floração, são de grande beleza. Alerta-se todos os visitantes deste percurso e de tantos outros espalhados por este extraordinário território, que não devem colher plantas nem alimentar animais selvagens.
O grupo abandonou a levada nas imediações da casa dos levadeiros, recomenda-se, no entanto, a ida até ao túnel (de 2400 m), o qual transporta a água até à ribeira de São Jorge. Desta zona a água prossegue por um túnel até à Fajã da Nogueira e continua num trajeto subterrâneo até à ribeira de Santa Luzia. Na costa sul, a água corre ora a descoberto, ora em túnel, até alcançar a ribeira de Santa Cruz.
A parte final da caminhada consistiu na descida de um caminho de terra batida, com cerca de 4 km, construído onde antes era praticada agricultura, mas agora maioritariamente ao abandono e onde regenera a vegetação nativa. Neste último troço do percurso foi ainda possível observar, no leito da ribeira do Fojo, as chamadas marmitas, formações geológicas escavadas pela acção erosiva da água em rochas mais frágeis, como é, neste caso, os tufos avermelhados. A caminhada terminou junto a uma pequena achada – onde ainda se pratica agricultura, no sítio dos Lamaceiros, Fajã do Penedo.
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