Toda a gente está a falar em Clara Pinto Correia, numa altura em que a vida pública portuguesa fica a saber da sua morte prematura, aos 65 anos de idade.
Foi uma jornalista e escritora de destaque, uma mulher multifacetada, bióloga, cientista, autora de talento, emancipada, inteligente, desafiadora, e muito simpática.
Conhecemo-la em tempos em encontros de escritores e iniciativas culturais.
Lamentamos o modo como terminou os seus dias, quase exilada em Estremoz, longe dos grandes centros, com a saúde debilitada, pagando sempre um pecadilho: um ou dois artigos plagiados. Não que se desculpe o plágio, mas porque temos a certeza que o mesmo decorreu sobretudo da eventual falta de assunto para um comprometimento de escrever artigos regulares para um jornal, enquanto se desenvolve actividade profissional e milhentas outras coisas.
É que, tendo nós conhecido pessoalmente Clara Pinto Correia, sabemos que não precisava de modo nenhum de plagiar. Era muitíssimo culta, inteligente e criativa. Errou, pagou, ficou a pagar o resto da vida. Há deputados madeirenses, hoje na República, que plagiaram descaradamente artigos de jornais estrangeiros, transcreveram-nos para Português e foram postos a andar de jornais regionais por esse motivo, tendo-se simplesmente mudado para outro jornal regional, do outro lado da rua. Entretanto mudaram de partido e isso em nada lhes prejudicou a carreira. E não faltarão aí pelo país todo outros plagiadores.
Já Clara Pinto Correia teve de pagar, andou pelo desemprego, teve de dar explicações para sobreviver, de repente todas as oportunidades e luzes se lhe apagaram. Efeito agravado por meia dúzia de imagens polémicas numa exposição, tiradas por um ex-marido, em que a cientista e escritora surgia com expressões faciais de prazer sexual (credo, que escândalo!)
Enfim, partiu, doente e desapontada, mais ou menos solitária e a sentir o peso da rejeição. Foi alguém que em tempos esteve no centro de todas as atenções por ser bonita, inteligente, multifacetada. Não abusou da popularidade, achamos nós. Nem sempre teve sorte, protagonizou uma vida tumultuada. Era uma boa pessoa, descanse em paz.
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