Critérios para Substituição de Cabo de Aço Entrelaçado em Funiculares

Diagrama técnico de funicular

AF!

A substituição de cabos de aço entrelaçados em funiculares baseia-se numa combinação de critérios temporais, técnicos e de segurança estabelecidos por normas nacionais e internacionais. A decisão de troca deve considerar múltiplos fatores para garantir a operação segura destes sistemas de transporte.

 

Critérios Temporais de Vida Útil

O critério temporal é estabelecido com base na experiência operacional e fatores de segurança significativos. Para funiculares, a vida útil típica é estabelecida em 600 dias de operação, sendo este período fixado pela entidade operadora considerando um coeficiente de segurança substancial. Esta periodicidade é mais restritiva comparativamente a outros sistemas, como elevadores comerciais que podem operar entre 5-15 anos, devido às condições específicas de operação dos funiculares.

 

Critérios Técnicos de Descarte

Arames Rompidos

Os critérios de descarte baseiam-se na NBR ISO 4309, que estabelece limites específicos para arames rompidos visíveis:

  • 6 fios rompidos num passo de cabo ou 3 fios numa perna como limite máximo
  • Para cabos em camada única ou fechados paralelos, aplicam-se valores específicos conforme a categoria do cabo
  • O número de fios partidos no comprimento de um passo não deve ultrapassar 10

 

Redução de Diâmetro

  • Redução de 7% ou mais do diâmetro nominal devido ao desgaste externo constitui critério imediato de descarte
  • Diminuição superior a 5% do diâmetro em relação ao nominal
  • Desgaste dos arames externos superior a 1/3 do diâmetro original

 

Corrosão e Deterioração

  • Corrosão acentuada que comprometa a integridade estrutural
  • Corrosão interna detetada através de inspeção específica
  • Danos por alta temperatura ou distorções como dobras, amassamento ou “gaiola de passarinho”

 

Coeficientes de Segurança

Os coeficientes de segurança variam conforme o tipo de aplicação:

  • Cabos metálicos em geral: mínimo de 6 em relação à carga máxima
  • Monta-cargas: coeficiente mínimo de 8
  • Teleféricos: coeficiente mínimo de 4,0 para cabos de tração-sustentação
  • Elevadores de passageiros: entre 10-12

 

Sistemas de Inspeção e Monitorização

Inspeções Visuais Diárias

As inspeções visuais rotineiras são realizadas diariamente aos elementos de segurança visíveis, mas têm limitações importantes:

  • Não permitem visualizar pontos críticos como zonas de fixação sem desmontagem
  • Eficácia limitada para detetar fadiga interna ou deterioração em pontos não acessíveis

 

Inspeções Técnicas Especializadas

  • Inspeções eletromagnéticas podem aumentar a vida útil através de monitorização mais precisa
  • Avaliações por organismos independentes durante grandes revisões (cada 4 anos)
  • Análise de condição dos cabos por entidades especializadas

 

Fatores Operacionais Específicos

Condições de Utilização

  • Intensidade de uso – funiculares com elevado tráfico turístico podem necessitar de substituições mais frequentes
  • Condições ambientais – exposição a salinidade, humidade e agentes corrosivos
  • Fadiga cíclica resultante de ciclos constantes de carga/descarga

 

Sobrecarga Operacional

O aumento do número de passageiros pode acelerar o desgaste, devendo ser considerado no cálculo da vida útil do cabo. A capacidade de carga de rutura de aproximadamente 68 toneladas deve ser confrontada com as cargas operacionais reais.

 

Enquadramento Regulamentar

Normas Aplicáveis

  • NBR ISO 4309 – critérios de inspeção e descarte para cabos de aço
  • NBR 16334 – requisitos para teleféricos e sistemas similares
  • Regulamento (UE) 2016/424 – instalações por cabo na União Europeia
  • Regulamento n.º 227/2012 – normas técnicas nacionais para instalações por cabo

 

Responsabilidades de Exploração

As entidades operadoras devem cumprir condições estabelecidas no relatório de segurança e manter requisitos de capacidade técnica. A verificação do cumprimento é realizada de três em três anos pelo IMT após inspeção da instalação.

A decisão de substituição deve resultar de uma avaliação integrada que considere todos estes critérios, privilegiando sempre a segurança operacional sobre considerações económicas. A combinação de inspeções regulares, cumprimento de prazos de vida útil e monitorização de indicadores técnicos constitui a base para uma gestão eficaz da manutenção de cabos em funiculares.

 

Webgrafica em formato APA:

AcroCabo. (s.d.). Coeficiente de segurança ou fator de segurança. AcroCabo. https://www.acrocabo.com.br/blog/coeficiente-de-seguranca-ou-fator-de-seguranca-2/

AcroCabo. (s.d.). Cabos de aço de elevador: quando substituir? AcroCabo. https://www.acrocabo.com.br/blog/cabos-de-aco-de-elevador-quando-substituir/

Agência Brasil. (2025, setembro). Bondinho da Glória: cabo cedeu no ponto de fixação da cabine, diz nota. EBC. https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-09/bondinho-da-gloria-cabo-cedeu-no-ponto-de-fixacao-da-cabine-diz-nota

BBC News Brasil. (2025). Tragédia no Elevador da Glória. https://www.bbc.com/portuguese/articles/c87yx002x4po

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