Rui Marote
A Rua do Jasmineiro, no Funchal, carece de placa toponímica, baralhando os estrangeiros e demais visitantes da nossa cidade. A circunstância foi trazida há nossa atenção já há três meses, por uma senhora idosa que nos transmitiu ser moradora há muitos anos naquela artéria funchalense, que, disse-nos, “há mais de um ano não tem nome”.
“Já fui à Câmara falar disto, mas o assunto caiu no esquecimento”, garantiu-nos. “Todos os dias é ver turistas com telemóvel com o mapa google â procura da rua do Jasmineiro, hoje com diversos alojamentos locais”, acrescentou.
Confessamos termos nós próprios esquecido este assunto. Quando o relembrámos, casualmente, encontrando a chamada de atenção entre apontamentos nossos, dirigimo-nos ao local para ver se a situação era de facto a descrita.
Fomos verificar se as placas entretanto tinham sido colocadas. Mas realmente tudo estava na mesma no sentido quem sobe e no sentido quem desce.
A toponímia do Funchal é considerada parte do património cultural da cidade. Os nomes das ruas reflectem a história, os eventos e as pessoas que moldaram a identidade citadina.
Passeando pelo Funchal é possível encontrar ruas com nomes de personalidades históricas, locais importantes ou referências a actividades tradicionais, como Rua da Carreira, Rua das Fontes ou Rua da Alfândega. O homem começou a dar nome para os locais por onde passava pelo menos por volta do ano 4 mil antes de Cristo, tanto quanto se sabe. Foi uma maneira encontrada para ajudar melhor as pessoas a seguir o caminho para certos lugares. Foi assim que pontes, rios e reinos passaram a ganhar nomes.
A Rua do Jasmineiro chama-se assim pela presença de uma quinta apelidada de “do Jasmineiro”. A palavra jasmineiro descreve diversas espécies de plantas da família das oleáceas com flores aromáticas, amarelas, brancas ou rosadas. O jasmineiro amarelo é uma espécie endémica da Madeira.
A rua já foi, em tempos, chamada de Travessa das Angústias, por ficar perto do antigo cemitério das Angústias, hoje parte Oeste do Parque de Santa Catarina, ao lado da Quinta Vigia.
Aqui fica o reparo da nossa leitora, à atenção das entidades competentes. Mais vale tarde do que nunca. Agora afixar a denominação adequada será tarefa da autarquia, que certamente não irá deixar a rua ficar “orfã”.
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