Bispo reflete no Corpo de Deus com “Peregrinos de esperança” sobre de onde vimos e para onde vamos

Fotos: Pe. Afonso Rodrigues

O bispo do Funchal. D. Nuno Brás refletiu hoje com os “peregrinos da esperança” sobre de onde vimos e para onde vamos. Foi na homilia da festa do Corpo de Deus.

Leia aqui a homilia na íntegra:

“SOLENIDADE DO CORPO DE DEUS (C)

Largo do Colégio, 19 de Junho de 2025

Eucaristia: alimento do peregrino

“Peregrinos de esperança” — assim nos é proposto vivermos, sobretudo neste Ano Santo de 2025. Nesta peregrinação, levamos connosco o Pão da Eucaristia como verdadeiro alimento que sacia e que, ao mesmo tempo, permite e anima o nosso caminhar.

  1. De onde vimos?

Neste peregrinar, de onde vimos? O nosso caminhar nesta realidade da história, da vida — da vida de cada um de nós e toda a humanidade — inicia porque nos interrogamos sobre a realidade do que somos, e percebemos que fomos criados para algo de maior, infinitamente maior.

Olhamo-nos ao espelho e questionamos: porque sou como sou? Porque não sou diferente? Como posso ser melhor? E percebemos, também, que juntos, em sociedade, somos capazes de ser mais e de ser melhor. Somos uns com os outros.

Mas a cada um de nós e a todos (desde os primeiros momentos, também à nossa sociedade madeirense) foi anunciado que Deus se fez homem, há 2025 anos, e que, há quase dois mil anos (passarão em 2033), morreu e ressuscitou para salvar: para me salvar, para te salvar, para nos salvar — para salvar o mundo! Sendo embora um acontecimento da história, do passado, encontra-nos e envolve-nos, 2 mil anos depois, porque é um acontecimento de Deus!

É esse acontecimento de Deus connosco, da morte e da ressurreição de Jesus, que nos reúne em Igreja; que oferece a cada um de nós um modo diferente de viver; que nos oferece a força e a energia de um Deus que caminha ao nosso lado e em nós; que nos reúne naquela nova realidade que vai muito além que uma qualquer instituição humana: a Igreja.

Nesse acontecimento de Deus que, em Jesus de Nazaré, vive a morte dos abandonados e que ressuscita para partilhar connosco a sua vida, todos nós nascemos como “nova criatura”, homens novos, que trazem consigo, no seu coração, a imagem de Jesus.

  1. Para onde vamos?

Para onde caminhamos? A própria ciência reconhece que o universo não é eterno. Teve um início e terá um fim. Mas a presença de Deus connosco diz-nos que esse fim (do universo e o nosso) é encontro com o Deus que é Amor. Seremos julgados, iluminados pelo amor. Nesse momento, ficarão a nu os nossos pecados, as nossas faltas de amor. Seremos julgados com amor porque Deus não sabe ser de outro modo. Mas não nos iludamos porque jamais o amor pactua com o ódio, com a inveja, com o egoísmo, com a guerra. O amor não sabe ser de outro modo: ou nos convertemos, ou mudamos o nosso modo de viver e de pensar egoísta, ou ficaremos de fora.

Caminhamos, pois, com o olhar fito no Céu. Essa é a nossa meta: esperam-nos Deus, Trindade Santíssima, e todos os seus amigos — Nossa Senhora, os Apóstolos e os mártires, os Santos, todos quantos partilham e comungam a vida de Deus. Vida feliz, bem-aventurada. Vida Eterna, infinita. Vida que preenche todas as nossas aspirações e todos os nossos desejos. Vida que é Vida acolhida e partilhada, multiplicada. É para lá que nos dirigimos!

  1. O pão dos peregrinos

Felicidade demasiada para cada um de nós? Felicidade que não merecemos — ou graça que nos é concedida? Sim: nessa vida de Deus em nós e connosco consiste aquilo a que chamamos “graça divina”.

Mas eis que o “Pão dos Anjos”, o “Pão do Céu”, o experimentamos já aqui, durante esta nossa peregrinação terrena. Comungar Jesus Eucaristia é já provar, saborear, viver o definitivo. Em cada Missa, ao comungarmos, devidamente preparados, estamos a unir-nos ao Senhor ressuscitado, e a quantos já gozam desta sua visão, os santos.

É por isso, também, que a Eucaristia é um verdadeiro alimento de peregrinos: unindo-nos ao Céu, saboreando as suas delícias, como não ganharmos coragem para ultrapassar os sofrimentos e as dificuldades deste nosso mundo? Perceberam-no bem os nossos antepassados madeirenses, quando fizeram gravar nas paredes da nossa Catedral e de outras das nossas igrejas: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”!

A Eucaristia dá-nos forças divinas, sobre-humanas, que, transformando o nosso coração, nos fazem ir adquirindo a forma de Cristo, em amor, entrega, cuidado pelo próximo, sacrifício, obediência ao Pai, caminho em direção ao Céu.

A Eucaristia cria em nós um novo modo de escutar. Ela alarga o nosso coração que, desse modo, faz daquilo que escutam os ouvidos um tesouro que nos vai conduzindo: que nos ajuda a conhecer o próximo e a realidade que nos cerca; que nos ajuda, sobretudo, a acolher e guardar a palavra divina, tomando-a como ela é e merece — Palavra de Deus dirigida à nossa existência.

A Eucaristia dá-nos os olhos de Deus para vermos com os olhos da fé, para percebermos, discernirmos o caminho a percorrer: que fazer com o dom da vida que Deus nos oferece em cada dia; que direção tomar; que forças empregar no caminho. A Eucaristia dá-nos os olhos de Deus para vermos o próximo com o olhar divino: e o outro, de inimigo transforma-se em irmão; de concorrente, em companheiro de jornada; de obstáculo torna-se suporte (“Suportai-vos uns aos outros”, convidava S. Paulo — Cf. Col 3,13). A Eucaristia dá-nos mesmo um novo olhar para nos entendermos a nós, e para percebermos como as nossas dificuldades interiores, os nossos desalentos e as nossas derrotas podem constituir momentos de fortalecimento e de nova energia para o caminho com Deus e até Deus.

A Eucaristia dá-nos um novo vigor. Aos jovens, a Eucaristia impede-os de desistir, oferece-lhes resiliência e perseverança, tolhe o desânimo e abre os horizontes. E a nós que, por sermos mais velhos na idade, nos parecem faltar as forças para o caminho, dá-nos o ânimo para continuarmos a mudar e transformar — nós e o mundo à nossa volta — oferecendo a tudo a forma de Deus, semeando sementes de esperança em tudo o que encontramos. A Eucaristia dá-nos a todos o vigor do mundo novo.

Deixemos que a Eucaristia nos alimente, a nós que somos “peregrinos de esperança”. E sem quaisquer respeitos humanos, levemos o Senhor em procissão pelas ruas da nossa cidade. É uma verdadeira imagem do que somos: peregrinos da cidade de Deus, conduzidos por Ele, unidos e caminhando com os irmãos. Peçamos-Lhe que, à Sua passagem, muitos sejam interpelados e convidados à fé. Caminhemos com Deus, que Ele mesmo tem apenas um desejo: caminhar connosco, salvar-nos!”.

De resto, este ano, a Festa do Corpo de Deus teve vários momentos:

1) Encontro dos irmãos e irmãs das Confrarias do Santíssimo e outras na igreja jubilar da Sé, com um momento de formação e oração das 15h às 17h. Dra. Graça Alves e “a vivência do Jubileu 2025”; Padre Pedro Nóbrega e “a missão das confrarias na vida paroquial”; e o Sr. Bispo com a “Espiritualidade das Confrarias”. Terminou com um momento de 30 minutos de Adoração ao Santíssimo Sacramento; Momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento na igreja paroquial de São Pedro, das 15h às 17h.

2) Praça da Misericórdia: Tempo para celebrar o Sacramento da Reconciliação na Praça do Colégio, das 17h às 17h45.

3) Eucaristia na Praça do Colégio às 18h e procissão para a igreja jubilar da Sé. Na Eucaristia campal, às 18h, houve um momento distinto para cada um dos grupos para renovação do seu compromisso.

As paróquias responsáveis pela confeção dos tapetes de flores foram: Santo da Serra, Bom Caminho e João Ferino; São Vicente, Seixal e Ribeira da Janela; Arco de São Jorge e São Jorge; Arco da Calheta e Loreto; Porto Moniz, Santa e Achadas da Cruz. 

O percurso da Procissão foi o seguinte:

O Percurso da procissão terá o seguinte itinerário:Largo do Colégio – Rua Câmara Pestana – Largo da Igrejinha – Avenida de Zarco (descendente) – Avenida Arriaga (faixa norte oeste) – Rua Conselheiro José Silvestre Ribeiro – Avenida do Mar (Faixa norte) – Avenida de Zarco (ascendente) – Avenida Arriaga (faixa norte leste) – Sé do Funchal.


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