
O alegado grupo criminoso organizado detido na terça-feira pela PJ terá ajudado milhares de imigrantes ilegais, junto com “uma toupeira” no Ministério dos Negócios Estrangeiros, revelou o diretor da Polícia Judiciária do Centro.
“Estamos a falar de milhares de pessoas. Não temos dúvidas de que muitas delas, com maior ou menor esforço, conseguiriam regularizar a sua situação, noutras vai ter de ser tudo revisto, certamente”, destacou Avelino Lima.
De acordo com o diretor da PJ do Centro, os milhares de imigrantes serão “de um país lusófono na América do Sul e do Hindustão”.
A PJ anunciou hoje que desmantelou este alegado grupo criminoso organizado que se dedicava à prática reiterada de crimes de auxílio à imigração ilegal, corrupção, branqueamento de capitais e falsificação de documentos. Ao todo, foram detidas 13 pessoas, sete homens e seis mulheres, entre os quais sete empresários, uma advogada e uma funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Os detidos – sete cidadãos nacionais e seis estrangeiros – têm idades compreendidas entre os 26 e os 64 anos e não têm antecedentes criminais conhecidos.
Avelino Lima explicou que os imigrantes eram angariados pelo grupo em redes sociais, sendo-lhes dado a conhecer “possibilidades e facilidades”, mediante o pagamento de “um valor significativo”. “Depois, havia uma estrutura que fazia todo o trabalho para permitir que esses imigrantes, chegados cá, se pudessem legalizar. Muitos deles nunca chegaram sequer a estar em território nacional, mas tinham documentação de título de residência, com repercussões ao nível fiscal e de segurança social, sendo esta uma realidade preocupante e que tem ganho dimensão cada vez mais grave”, indicou.
Entre os serviços pelos quais os imigrantes pagavam figuravam a obtenção de contratos de trabalho, Número de Identificação Fiscal (NIF), Número de Identificação de Segurança Social (NISS), Número de Utente do SNS (Serviço Nacional de Saúde), tradução e certificação de registos criminais, abertura de contas bancárias, atestados de residência, entre outros.
No âmbito desta operação da Diretoria do Centro, que intitularam de “Gambérria”, foram realizadas 40 buscas domiciliárias e não domiciliárias em Coimbra, Espinho, Carregal do Sal, Amadora, Odivelas, Loures e Lisboa.
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