Vou aproveitar a gíria futebolística após os golos de Trincão na seleção de Portugal para ensaiar um editorial sobre o que se passou ontem na Madeira.
O povo decidiu está decidido! Em eleições livres, democráticas e, que se saiba, sem mácula, não obstante o chinfrim do CDP-PP no dia das eleições.
Os resultados só surpreenderam os mais incautos.
O grande vencedor é, sem dúvida, o PPD/PSD e, por inerência, o seu líder Miguel Albuquerque. Mesmo com o desgaste de casos e casinhos, mesmo com o desgaste de tantos anos de governação, o PSD ficou a 300 votos de uma maioria absoluta. É obra! O líder Miguel Albuquerque saiu dos cartazes mas entrou nas redes sociais para “cozinhou” os adversários em lume brando, numa excelente estratégia de comunicação.
Outro grande vencedor: o JPP de Élvio Sousa. Em 7 dos 11 concelhos da Madeira ficou à frente do PS. Passo a passo, os gauleses fazem o seu caminho. E nem de propósito, foi anunciado esta semana o 41.º álbum de banda desenhada dos gauleses mais famosos do mundo, sob o título “Astérix na Lusitânia”. É muito provável que o JPP chegue à Lusitânia (leia-se Assembleia da República) já a 18 de maio (eleições para a Assembleia da República). Além disso, o JPP deu um grande “trincão” ao eleitorado tradicional do PS. Cresceu, sobretudo, à custa do eleitorado do PS.
Derrotados da noite: O PS-M, na liderança de Paulo Cafôfo. Os socialistas não conseguiram romper a bolha na qual se meterem. O PS foi uma amostra do que já foi. Perdeu exactamente na proporção do que o JPP cresceu (PS perdeu 6536 votos, JPP conqustou 7136 votos face a 2024). Dir-se-ia que o JPP canibalizou o vizinho do lado (usando uma expressão de Rui Nogueira Fino). Ou, se quisermos a criatura superou o criador.
O PS-M nunca soube ser um partido de poder. Por cá nunca soube ter o CHA (Competência, Habilidade e Atidude) para entrar no “arco do poder”. Aliás, nem soube segurar a liderança da oposição. O que, de facto, é histórico. Já nem o seu eleitorado tradicional segura. E ninguém se demite?! Nem sempre dos despojos/cinzas renascem novas fénix’s.
Outro derrotado da noite: O Chega -autor da moção de censura que derrubou o Governo Regional- e os seu líder nacional André Ventura. Sim! Também foi André Ventura e as desventuras do Chega nacional que o eleitorado madeirense penalizou. Na Madeira mandam os madeirenses! Voltando à gíria futebolística, dir-se-á que, com a moção de censura, o Chega marcou um auto-golo.
O fiel da balança continua a ser o CDS-PP de José Manuel Rodrigues. É certo que perdeu influência em zonas como a Calheta (espaço que também está a ser ocupado pelo JPP). Mas o CDS, elegendo apenas um deputado, é a cereja para a maioria absoluta. Acontece que, desta vez, não deverá ser uma cereja fresca do Jardim da Serra mas antes uma cereja cristalizada. Veremos os que as negociações nos reservam.
Duas breves palavras para IL e PAN. Para a IL manter um deputado foi o “mal menor” (Nuno Morna agora já pode falar!). Estou em crer que é mais mérito do partido (como um todo visível nacional) do que, sem desprimor, da liderança e da euipa regional. Sobre o PAN, o eleitorado veio dizer que já fez o seu papel (viabilizou o governo anterior de Miguel Albuquerque) deixando-o fora do parlamento pela segunda vez na sua história.
No mais, os eleitores e o método de Hondt acabaram por penalizar os partidos mais pequenos, casos da CDU, BE, Livre, ADN, PPM, Nova Direita e coligação liderada pelo PTP. Terão de rever o seu discurso, as suas estratégias, os seus métodos.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.






