Face ao impacto devastador do desaparecimento das palmeiras do Porto Santo, a Câmara Municipal do Porto Santo anunciou a plantação novas árvores substitutas.
Este assunto é demasiado importante e tem um impacto geracional de décadas e por isso deverá ser tratado com rigorosos critérios ambientais, botânicos e paisagísticos. Receio, olhando para o que se tem feito nos últimos anos na ‘vila, que se opte pelo mais fácil e imediato: a substituição das palmeiras do Porto Santo pelo exótico metrosídero, que aqui não tem tradição nenhuma e que provavelmente chegou ao Porto Santo nas mesmas embarcações que trouxeram o escaravelho das palmeiras. Esta espécie vinda do Pacífico, comum nos Açores, resiste bem ao ambiente marinho mas não passa, no nosso meio, de uma pobre solução: observem-se os raquíticos exemplares da praça de táxis do Porto Santo ou da rua Dr. Nuno Silvestre Teixeira (plantados há meses) ou os pioneiros que nos trouxeram as obras modernas da sociedade de desenvolvimento há vinte anos, no jardim lateral ao apelidado centro de artesanato ou no estacionamento do pavilhão multiúsos.
Algumas espécies arbóreas alternativas podem ser mais adequadas às condições edafoclimáticas do Porto Santo, à luminosidade clara desta ilha, à temperatura quente e à seca prevalente. A demonstrá-lo estão as OLIVEIRAS da Rua Dr. Manuel Gregório Pestana Júnior, ou as TIPUANAS da Estrada José António Taboada, ou a preciosa ALFARROBEIRA da Rua João Gonçalves Zarco. A CEIBA do adro da Piedade é um testemunho vivo de resistência e beleza. Recentemente, um munícipe sugeriu a rearborização da Alameda do Infante com ACÁCIAS RUBRAS (uma bela acácia salina floriu durante muitos anos o jardim do tribunal) – uma proposta que muito me agradou, pelo colorido vivaz das suas flores naquela avenida pedonal emblemática do Porto Santo rasgada para o velho cais. O JACARANDÁ que dá cor à principal avenida do Funchal, não deve ser aqui desprezado. Talvez o laureáceo BARBUSANO numa ou noutra praça. ARAUCÁRIAS já temos bastantes. Por sua parte, os DRAGOEIROS, pela forma da sua ramificação e copa bojuda, não se adequam aos locais de passagem onde estavam as palmeiras. Mas, numa ou noutro sítio, talvez se devam plantar ZIMBROS – nunca compreendi por que motivo não há Zimbros no espaço público desta ilha, uma espécie que dá nome a um topónimo por todos conhecido: Zimbralinho. Hoje, quem quer ver um zimbro, tem de ir à Quinta das Palmeiras!
Concluindo, venho por este meio, na qualidade de munícipe e de porto-santense de alma e coração, solicitar à Câmara Municipal organização urgente, com o apoio da Secretaria do Ambiente, de um simpósio ambiental ou criação de equipa técnica ad hoc com especialistas em paisagismo urbano conhecedores das condições específicas do Porto Santo com o objetivo de se determinar com fundamento e benefício geral as espécies arbóreas mais apropriadas, pela resistência e pela beleza, à substituição das emblemáticas palmeiras.
Porto Santo, 20 de Março de 2025
José Campinho
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