As primeiras eleições para delegado sindical no antigo Jornal da Madeira decorreram há 48 anos. Não havia, então, sindicato dos jornalistas na Madeira, e os estatutos do sindicato não permitiam delegações nas regiões autónomas. Tudo era tratado com Lisboa até a caixa de previdência dos jornalistas. Lisboa alertou por essa época, que os jornais teriam de nomear nas redacções um delegado sindical.
A redacção do Jornal era composta pelos jornalistas Ernesto Rodrigues, António Jorge Andrade, José António Gonçalves, Filipe Malheiro, Gabriel Caires, Danilo Gouveia, Gilberto Teixeira, Eleutério de Aguiar e Rui Marote. O director era Alberto João Jardim.
Apareceu de imediato um candidato: José António Gonçalves, que tinha o consenso de todos os elementos do corpo redactorial.
O professor Eleutério fez questão, todavia, de que houvesse mais um candidato, para dar um ar democrático. A “fava” coube-me a mim. Respondi que era amigo do José António Gonçalves e que não aceitava. Respondeu, todavia, que iria votar em mim e outros. Recordo que nessa noite, em plena Redacção procedeu-se ao acto eleitoral. Uma caixa de sapatos serviu de urna. Filipe Malheiro coordenou e procedeu a contagem dos votos, da lista A e lista B.
Em voz alta anunciava: lista A 1 voto, lista A 2 votos, lista A 3 votos, lista A 4 votos, lista B 1 voto, Lista A 5 votos, lista A 6 votos, lista A 7 votos, lista A 8 votos.
O eleito foi José António Gonçalves que venceu com oito votos. Rui Marote teve 1 voto.
O caricato é que ainda hoje, quando conto esta história, desfaço-me a rir. Não é que no final o professor Eleutério deu-me um abraço e disse em voz baixinha: Marote, aquele voto em ti foi o meu! Porém, eu, candidato, tinha naturalmente votado em mim próprio… E esta.
Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão…
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