Zona Velha: recordando os moradores e suas alcunhas

Casa da Mariazinha a Escala parteira do povo
Rui Marote
O jornalista que assina este artigo vai dar por encerradas, para já, as abordagens realizadas à zona velha da cidade do Funchal. Investigámos, alertámos, criticámos e vivemos intensamente a lamentável destruição daquele local e dos seus símbolos. Não participámos na elaboração do decreto que a devia proteger, nem votámos o mesmo. Este escrevinhador é apenas um cidadão que nasceu e viveu naquela zona da cidade, intitulada Velha.
Casa da Nó-nós, nº 222
Casa do Alferrinha nºs 210-212
Não faz parte do gabinete que coordena aquela área, não é arquitecto, não pertence à Secretaria da Cultura, nem à Câmara nem aos quadros do Gabinete técnico da  Zona velha da cidade. Mas é um cidadão do Mundo que conhece dezenas de zonas históricas e que as vê a serem cuidadosamente preservadas. Porque tanta destruição na nossa? Tanta falta de cuidado?
Casa do Baque Inglês nº 214
Deixamos o nosso contributo… pois, como nos ensinaram, a história não se apaga com uma borracha.
Aqui fica um um levantamento de grande parte  dos moradores da Rua de Santa Maria, do meu tempo, que eram conhecidos entre os outros residentes não pelo nome ou apelido, mas sim pelas alcunhas castiças que ajudavam a identificar as pessoas e as comunidades onde se inseriam.
Casa do Maleiro nº 112-A
Apresentamos as fotos das casas onde viviam, embora muitas dessas habitações estejam hoje descaracterizadas. Sugerimos que nessas casas deveriam perpetuar numa pequena placa com a “alcunha” pela qual eram conhecidos os moradores, para que estes, que eram a verdadeira alma popular da Zona Velha, sejam lembrados para sempre. Porque não são só os “homens bons” que o merecem: os populares também têm e fazem história.
Casa do Manteiga nº 225
Das cerca 78 famílias que identificámos, só uma alcunha resistiu e continuou a viver na cidade velha, a família do “Cambrinha”. Identiquei as casas: algumas já não existem e outras estão de tal maneira descaracterizadas que nem o batente das portas resistiu à destruição.
Publicamos algumas fotos com os números de porta  e quem lá vivia.
Casa do Meio-Dia nº 230
Por ordem alfabética, os residentes  da Rua de Santa Maria desde o Largo da Feira até o Socorro eram:
Abel Molha o Cú, Alferrinhas, Areia, António da lenha, Açoreano, Alemão, Baque Inglês, Barbas, Bota Preta, Cavalinhas, Cambrinha, Cinco Leis, Cigarrinha, Caneja, Ciganita, Cabecinha, Cavenistas, Carne Crua, Casaca, Cevada, Cavalo Branco, Escala, Dezoito, Engº Porco, Faroleiro, Feijão, Gordaça, Gadelha, Germana, Gato, Guerrilhada, João Grande, Joãozinho Sem Maldade, Jaca, João o Velha, Cházinho Japonês, Loiras, Mairinha, Milhinho com Acúcar, Maleiro, Mamada, Mata Galinhas, Mangericão, Maria do Ó, Mosca, Mero, Manuai, Marão, Manuel dos Doces, Maria Pintelha, Magala, Meio Dia, Mário Peidão, Mata  Galinhas, Manteiga, Meia Noite, Nó-Nós, Néspera, Pombinha, Pai Costa, Peidinha, Pança, Pretinha, Pão Duro, Passa as Coisas, Quanza, Regulata, Rata, Roy, Reijoa, Sorveteira, Saninha, Tareco, Telefonista, Torto, Tota, Tabaca, Xenica. Aqui fica esta achega  para a História da cidade… que não é a só a dos bairros ricos.
Casa do Milinho com Açúcar nº 218
Casa do Nêspera
Casa do Quanza nº 207
Casa dos bárbaros nº 231
Fábrica de chapéus de palha
Neste Ribeiro da Nora havia uns lavadouros públicos que foram destruídos
Última casa onde viveu na Zona Velha João Carlos Abreu.
Barbearia o Agrela
Casa da Isabelinha, mãe do Sérgio, Enoque, Ondino e Goete
Casa da Jaca Travessa do Forte Hoje alojamento local
Casa da linha e Casa dos Gordaças Nº270
Casa do trompetista Mascote
Deposito da Banana e Casa da Lenha – Pai da Mariazinha a Padeira nº153 -155
Padaria do Barreto hoje Arsénios
Manuel dos doces bar Nº8-6-4-1
Casa do João da Corte Nº279 Hoje alojamento local
Casa das Loiras Nº260-262
Casa do Joazinho Sem Maldade Nº264
Quinta do Ferraz, onde vai nascer um Hotel
Casa da Magala e Gadelha Nº250. Casa da Pretinha Nº 252
Casa da Mairinha, 254. Tia do Max
Casa do Juca das Lanchas Nº259
Casa do Japonês Nº242
Casa do Faroleiro Nº 246
Casa do Coronel Pereira hoje residência universitária
Casa do Tota Nº 251
Casa do Torto Nº240 avô de e onde nasceu José Manuel Rodrigues
Casa da Telefonista Nº244
Casa do Mario Peidão sapateiro Nº13
Mercearia do Mendonça nº 122
Casa do Venena antigo jogador do Maritimo Nº25
Primeira casa onde viveu João Carlos Abreu, hoje um restaurante.

Segunda casa onde viveu João Carlos Abreu, na Travessa do Pimenta.
Casa onde nasceu Alexandre Rodrigues.
Mercearia do Carlinhos e no andar de cima casa do Carvalhinho das Finanças Nº133

Casa do Pombinha – Eduardo jogador do Marítimo

Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.