Rui Marote
O jornalista que assina este artigo vai dar por encerradas, para já, as abordagens realizadas à zona velha da cidade do Funchal. Investigámos, alertámos, criticámos e vivemos intensamente a lamentável destruição daquele local e dos seus símbolos. Não participámos na elaboração do decreto que a devia proteger, nem votámos o mesmo. Este escrevinhador é apenas um cidadão que nasceu e viveu naquela zona da cidade, intitulada Velha.
Não faz parte do gabinete que coordena aquela área, não é arquitecto, não pertence à Secretaria da Cultura, nem à Câmara nem aos quadros do Gabinete técnico da Zona velha da cidade. Mas é um cidadão do Mundo que conhece dezenas de zonas históricas e que as vê a serem cuidadosamente preservadas. Porque tanta destruição na nossa? Tanta falta de cuidado?
Deixamos o nosso contributo… pois, como nos ensinaram, a história não se apaga com uma borracha.
Aqui fica um um levantamento de grande parte dos moradores da Rua de Santa Maria, do meu tempo, que eram conhecidos entre os outros residentes não pelo nome ou apelido, mas sim pelas alcunhas castiças que ajudavam a identificar as pessoas e as comunidades onde se inseriam.
Apresentamos as fotos das casas onde viviam, embora muitas dessas habitações estejam hoje descaracterizadas. Sugerimos que nessas casas deveriam perpetuar numa pequena placa com a “alcunha” pela qual eram conhecidos os moradores, para que estes, que eram a verdadeira alma popular da Zona Velha, sejam lembrados para sempre. Porque não são só os “homens bons” que o merecem: os populares também têm e fazem história.
Das cerca 78 famílias que identificámos, só uma alcunha resistiu e continuou a viver na cidade velha, a família do “Cambrinha”. Identiquei as casas: algumas já não existem e outras estão de tal maneira descaracterizadas que nem o batente das portas resistiu à destruição.
Publicamos algumas fotos com os números de porta e quem lá vivia.
Por ordem alfabética, os residentes da Rua de Santa Maria desde o Largo da Feira até o Socorro eram:
Abel Molha o Cú, Alferrinhas, Areia, António da lenha, Açoreano, Alemão, Baque Inglês, Barbas, Bota Preta, Cavalinhas, Cambrinha, Cinco Leis, Cigarrinha, Caneja, Ciganita, Cabecinha, Cavenistas, Carne Crua, Casaca, Cevada, Cavalo Branco, Escala, Dezoito, Engº Porco, Faroleiro, Feijão, Gordaça, Gadelha, Germana, Gato, Guerrilhada, João Grande, Joãozinho Sem Maldade, Jaca, João o Velha, Cházinho Japonês, Loiras, Mairinha, Milhinho com Acúcar, Maleiro, Mamada, Mata Galinhas, Mangericão, Maria do Ó, Mosca, Mero, Manuai, Marão, Manuel dos Doces, Maria Pintelha, Magala, Meio Dia, Mário Peidão, Mata Galinhas, Manteiga, Meia Noite, Nó-Nós, Néspera, Pombinha, Pai Costa, Peidinha, Pança, Pretinha, Pão Duro, Passa as Coisas, Quanza, Regulata, Rata, Roy, Reijoa, Sorveteira, Saninha, Tareco, Telefonista, Torto, Tota, Tabaca, Xenica. Aqui fica esta achega para a História da cidade… que não é a só a dos bairros ricos.
































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