Em Julho de 2019, um ano antes das comemorações do V centenário da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, estive nas Molucas, nas ilhas de Ternate, Tidore e Ambom, onde o madeirense Jordão de Freitas foi rei. O Funchal Notícias, numa série de reportagens, deu testemunho dessa aventura. A 5 de Janeiro de 2020, o navio-escola “Sagres” da Armada Portuguesa largou do Tejo para uma viagem à volta do mundo, para comemorar os 500 anos da rota de Fernão de Magalhães.
Estava previsto em Outubro desse ano o veleiro Sagres chegar a Cebu, nas Filipinas, onde o navegador português perdeu a vida. Tinha tudo planeado com o almirante Silva Ribeiro para efectuar o percurso de Jacarta – Cebu a bordo da Sagres completando a rota de Magalhães. Mas tal não veio acontecer, uma vez que a Sagres regressou à Europa, devido ao aparecimento da Covid-19, na altura em que estava na Cidade do Cabo.


Decorridos cerca de cinco anos cheguei afinal a Cebu e o meu sonho foi concretizado.
Viajei de avião 1h e 35m de Manila para Cebu, na Pacific Air, com uma mochila, e paguei 26.99 euros (ida).
Magalhães nunca esteve em Manila: morreu em Mactan, hoje parte da cidade de Cebu. Quinhentos anos depois, o navegador português tem ruas, avenidas e monumentos com o seu nome. A praia onde desembarcou é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. Há uma cruz polémica que leva o seu nome e se tornou objecto de culto.
Magalhães, se pensarmos bem, foi o primeiro “turista” europeu a lá chegar mas deu-se mal: foi assassinado. Morreu na praia em Cebu, que era um centro comercial de uma série de rotas por andavam mercadores da China, Malásia, Índia ou Japão. A sociedade local já estava organizada por tribos que interagiam através do comércio ou da conquista violenta de território.
Cada tribo teria entre trinta e cem famílias e um chefe a comandá-la. A frota de Magalhães era constituída por cinco navios o navegador tinha a certeza que poderia circum-navegar o planeta viajando para oeste. A chegada a Cebu era uma das provas de que necessitava para confirmar a sua teoria.
O chefe rival da ilha de vizinha de Mactan era Lapu – Lapu. Fernão de Magalhães terá querido mostrar o seu poder ao anfitrião de ocasião. Partiu para Mactan ao encontro do chefe inimigo. E tudo correu mal. Os espanhóis chegaram com a maré baixa, com armaduras, sob um calor intenso e humidade, enterraram-se na lama e não tiveram grandes hipóteses de sobrevivência.
Estive no Santuário de de Mactan, o local onde terá ocorrido a batalha entre os homens de Lapu – Lapu e de Magalhães.
Virada para a entrada que leva ao mar, está a estátua de bronze de Lapu – Lapu, de escudo rectangular num braço e catana na mão.
Passando a estátua deste chefe tribal chega-se ao monumento erigido durante o período espanhol (que durou da chegada de Magalhães até 1898) em memória do navegador: por lado era o invasor, por outro o rosto da evangelização. A curta distância está a Basílica Menor de Santo Nino e a Cruz de Magalhães, um dos monumentos mais visitados de Cebu. Provavelmente é também o mais controverso.



Apesar de a inscrição junto à cruz informar que a mesma foi colocada em 1521 por Magalhães, a verdade parece ser outra. Isso, porém, não impede que os fiéis rezem, acendam velas, cantem ou se mantenham em silêncio frente à cruz de madeira. É uma questão de fé, numa cidade conhecida por isso mesmo.
Mas Cebu também é conhecida por ter uma grande indústria de produção de guitarras e por ser a capital do leitão assado.
Fiz uma visita ao mercado do peixe pelas sete e trinta da manhã, para tomar o pequeno almoço. Há sopas de peixe de tubarão, de peixe papagaio e de vários peixes com legumes. Cada tigela custa aproximadamente um euro.

Os sabores são tão subtis que poderiam estar a ser servidos num restaurante de classe mundial.
De regresso à cidade, passei na rua Colon, a mais antiga das Filipinas.
Dizia Jobers Bersales: “Se os norte americanos tivessem estudado a história de Fernão de Magalhães, não teria acontecido o fiasco do Vietname”. O arqueólogo não tem dúvidas: “Foi esquartejado, cortado em quatro partes e espetado em paus ao longo da costa para servir de aviso aos espanhóis. Apesar disso, os filipinos não o veem hoje como um inimigo. Afinal, foi ele quem trouxe o catolicismo, uma marca substancial da vida nestas ilhas.
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