Rui Marote
Há 50 anos, em Moçambique, nas horas de ponta, os machimbombos (autocarros) transportavam da Praça Mac Mahon para o “Alto Maé”, as pessoas como sardinha em lata, com passageiros agarrados uns aos outros no passadiço da porta do autocarro.
Ora, a história repete-se agora no expresso Machico-Funchal. Não vamos identificar a hora para salvaguarda do motorista.
Um autocarro moderno com uma amálgama de turistas e madeirenses ao longo do corredor, sem qualquer varão ou pega no tecto, ou seja, segurança inexistente para não serem projectados em caso de uma travagem. O machimbombo ficou com porta de saída bloqueada, uma vez que no degrau, um casal de turistas resolveu abancar no chão e sempre que o autocarro efectuava uma paragem para deixar passageiros, os mesmos saíam para a estrada e voltavam a entrar para dar espaço aos que pretendiam apear-se. O autocarro partiu da cidade de Machico para a cidade de Santa Cruz, tendo como destino final cidade do Funchal. São cerca de 25 km.
Os autocarros entre cidades têm um limite de passageiros e não é permitido a ninguém viajar de pé. Até os próprios assentos têm de ter cintos de segurança. Durante o trajecto assistimos a comentários alto e bom som, de passageiros do concelho de Machico a protestar contra os turistas: “Nós vamos trabalhar e todos dias chegamos tarde ao trabalho e há autocarros que não param porque o carro já sai da estação rodoviária de Machico superlotado. Vocês vêm passear…”
Geralmente quando os autocarros saem da doca e estão completos, compete ao chefe de tráfego mandar sair um novo autocarro para acudir aos passageiros ao longo do percurso nas paragens. Aquilo que na gíria antiga era conhecido por desdobramento. Que a Santa Boa Viagem os conduza em segurança… assim seja!
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