A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda (BE), reunida hoje, ratificou a lista de candidatas e candidatos às eleições legislativas nacionais de 10 de março, sendo Dina Letra a cabeça de lista pelo círculo da Madeira.
Na sua intervenção, Dina Letra deu nota de que “na Madeira conhecemos bem a arrogância da maioria absoluta e das políticas liberais de endeusamento da eficiência do privado; da venda do território e de serviços públicos à iniciativa privada, que mais não é do que um grupo de amigos do regime. O Governo Regional da Madeira é, todo ele, um facilitador de negócios, com uma política de favorecimentos que atirou ao mar o interesse público”.
Segundo Dina Letrtos, “tem sido assim na educação, na saúde, nos cuidados, no ambiente, na gestão dos recursos hídricos, nos transportes de mercadorias e de passageiros, no ordenamento do território, da floresta e da orla costeira, na habitação, entre outros exemplos.”
Referiu ainda os 30% de risco de pobreza, que são cada vez mais gente que trabalha; dos salários médios mais baixos do país; do custo de vida que é brutal para quem é pobre, alargando-se cada vez mais o leque da pobreza à classe média, e que sobrevive à custa de apoios sociais e de ir buscar a refeição para jantar e para o dia seguinte.
Segundo o BE, vive-se na Região uma acentuada desigualdade entre a maioria da população e uma pequena elite, que se move ao estilo monárquico em que o privilégio se transmite entre gerações. Onde o custo médio da habitação na Madeira, que se situa no meio milhão de euros, enquanto milhares de famílias desesperam por uma casa com dignidade, ou com a subida dos juros e dos despejos que fazem subir rendas ou de outras tantas famílias jovens que vêm na emigração a única solução.
“Mas, na Madeira, temos a agravante de não haver contestação social e de não se conseguir mobilizar pessoas. Não é paz social, como se vangloria Miguel Albuquerque. É sim uma cultura do medo, de receio de represálias, que foi implementada pelo PSD-M ao longo de décadas. Uma política que substituiu o senhor da terra pela casta do PSD-M. Que manteve o povo de cabeça baixa e mão estendida, mas deslumbrado com o arraial e o fogo-de-artifício, amansado pelo ego do povo superior e inebriado pela poncha”, disse.
“Sabemos que paulatinamente o PSD-M tem vindo a perder eleitorado, mesmo com as ajudas do CDS e agora do PAN, mas a extrema-direita e a direita liberal crescem. E nada mudará de forma substancial. Mas sabemos também que o Bloco tem uma herança de luta e de denúncia contra o poder instalado das elites, sempre privilegiadas pelos governos de direita e das maiorias absolutas. Uma luta em defesa do povo que trabalha e de quem vive da sua pensão, de defesa do Estado social construído com o 25 de Abril e que tornou acessível a toda a população serviços públicos essenciais como a saúde e a educação. E é essa herança de coerência política, de defesa intransigente dos serviços públicos, do colectivo e do interesse público que está ao serviço de todas e todos, a par da apresentação de soluções para os problemas actuais e da vida concreta das nossas pessoas, que serão a força do Bloco”, referiu.
O salário, a habitação, a saúde, a educação e o clima serão o mote da próxima campanha eleitoral.
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