A intenção manifestada hoje por Miguel Albuquerque de permitir o pastoreio ordenado nas serras, alargando as áreas destinadas a este fim, de modo a “prevenir e mitigar o impacto dos incêndios florestais” é, no entender do PS-M, o reconhecimento de que, ao longo destes anos, o Governo Regional agiu erradamente ao impedir este regime e ao recusar todas as propostas da oposição no âmbito da gestão do espaço florestal.
O líder parlamentar socialista Victor Freitas diz que foram vários os projectos apresentados pelo PS na Assembleia Legislativa da Madeira ao longo da última legislatura, entre os quais a implementação de um novo regime silvopastoril que contemplasse o regresso do gado às serras de forma orientada, como forma de preservar esta actividade e, simultaneamente, controlar as espécies infestantes altamente combustíveis, para prevenir os incêndios.
Ao abrigo deste diploma, os próprios proprietários seriam pagos pela área limpa, constituindo este um modelo de serviço público devidamente remunerado. Mas, como refere Victor Freitas, lamentavelmente, tanto esta, como todas as restantes iniciativas propostas esbarraram na intransigência da maioria parlamentar e foram consecutivamente chumbadas.
O mesmo aconteceu em relação aos alertas sobre a necessidade de manter faixas corta-fogo limpas, algo sempre ignorado pelo Governo, com o chefe do Executivo, agora, a querer transformar a faixa corta-fogo do Funchal num parque ecológico.
“Com estas afirmações, Miguel Albuquerque está a assumir o caminho errado que o Governo que lidera tem vindo a seguir”, diz o deputado, considerando que, se tivessem sido tidas em conta as repetidas recomendações feitas pelo Grupo Parlamentar do PS, os incêndios que assolaram a Região nos últimos dias poderiam ter sido evitados ou os seus impactos minimizados.
Não obstante este facto, depois de, no final da passada semana, ter lançado o repto para um pacto entre todos os partidos em matéria de gestão e protecção da floresta, o líder parlamentar do PS espera que as declarações proferidas e a postura hoje assumida pelo chefe do Executivo sejam um primeiro passo nesse sentido.
“A defesa do nosso património florestal e da nossa biodiversidade e a garantia da segurança das populações é um desiderato que tem de ser assumido por todos”, refere o dirigente do PS-M, esperando que nesta legislatura que agora tem início o Governo Regional adopte uma postura dialogante e responsável.
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