Jesus Maria Sousa defende no SPM um paradigma de rutura assente na mudança de foco nas práticas pedagógicas

Um dos pontos mais altos do Encontro de Professores do 2.º, 3.º ciclos e ensino secundário do SPM foi a intervenção da reputada professora catedrática Jesus Maria Sousa, “Um novo Paradigma na Educação”.

Com um currículo vastíssimo, que alia a experiência inicial da sua formação nas escolas do 3.º ciclo e ensino secundário, ao itinerário académico de professora catedrática na UMa, Jesus Maria Sousa fez uma viagem no tempo para explanar as várias noções de currículo ao longo do tempo, bem como o conceito de paradigma, à luz de Thomas Kuhn, com a defesa de que a ciência avança por crises e ruturas abrutas.

Neste novo cenário de ruturas paradigmáticas, a Professora Doutora Jesus propõe um paradigma de rutura, uma mudança de foco nas práticas pedagógicas. Advoga uma viragem para a realização de projetos escolares interdisciplinares para a resolução de problemas reais, no bairro, no município, no mundo, ao invés da fragmentação dos saberes e práticas.

Jesus Maria Sousa defende ainda uma viragem para o desenvolvimento de competências através da utilização de conhecimentos, valores, de forma integrada. Preconiza, igualmente, uma viragem para o desenvolvimento transversal da consciência ecológica, ao invés da alienação. A investigadora advoga uma viragem para os processos socio-construtivistas das aprendizagens, bem como uma viragem para a comunicação sistémica, horizontal e grupal, com recurso às novas tecnologias de comunicação e informação.

A professora catedrática também recomenda uma viragem para o desenvolvimento nos alunos de hábitos alimentares saudáveis e para a prática do exercício físico como aspeto fundamental do currículo. A investigadora recomenda a interiorização do conceito de espécie enquanto habitante no planeta em vez da promoção dos nacionalismos exacerbados, bem como uma viragem no sentido político e pedagógico da inclusão. Finalmente, a aposta no trabalho colaborativo e participativo, envolvendo toda a comunidade, e a viragem para o reconhecimento da necessidade de tempo para a livre iniciativa do aluno (para namorar, brincar…).


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