Há dias os ucranianos publicaram um vídeo dos restos do defunto Antonov 225 a serem ingloriamente rebocados para fora do hangar de Hostomel, o último lar e casa mortuária. Antes rebocado por um trator ligado a uma lança, agora por um veículo militar preso por um cabo de aço como se de um monte de entulho se tratasse.

Do cockpit nada resta, apenas uma massa disforme de metal, nem se vislumbram cadeiras nem instrumentos. A chapa no nariz está tão crivada de balas, que nada teria escapado mesmo sem se imolar o conteúdo. Dá ideia de “spray” de balas, maldosamente aplicado por soldados rasos. Outras imagens mostram a zona superior, essa também um queijo suíço de estilhaços de bombas. Realisticamente aproveitar-se-iam alguns dos motores.

Os poderosos Ivchenko-Progress D-18T são usados também nos An124 da Antonov Airlines, cinco dos quais se salvaram e estão em Leipzig na Alemanha.
Estes cinco, dos sete An124 que compunham a frota, ainda estão a ser operacionalizados pela Antonov para voos de carga, mas severamente limitados em meios de manutenção dado que a sua base é o arrasado Hostomel. A fábrica dos motores fica em Zaporizhzhia, cidade recentemente atacada pelos invasores. Alguns outros An124 operados pela companhia russa Volga-Dnepr foram arrestados na europa e américa do Norte por ordem do tribunal. Se isto implica serem entregues aos ucranianos para uso comercial, já não é tão claro.
Os 3b€ que o presidente ucraniano clama serem o custo de reconstrução do An225 são totalmente irrealistas. A capacidade de engenharia desapareceu. Mesmo que houvesse diagramas e planos, os engenheiros que o desenharam já há muito estarão reformados e não haverá nem meios fabris de assemblagem, e muito menos fabricantes dos pequenos componentes. Especialmente se de outras repúblicas da ex-URSS. O mesmo se aplica à lunática ideia de Putin prosseguir com o fabrico em série do Tupolev 214, ou russificar a 100% os outros modelos.
Este artigo é o óbito efetivo desta histórica aeronave e faz subir um lugar o A380 como a maior aeronave (em volume) em operação, mas que não tem versão cargueira.
O An124, um pouco mais pequeno que o An225, é também muito usado para transportes de grandes volumetrias, como satélites e turbinas de centrais termoelétricas que não cabem em nenhuma outra aeronave. Há cargas que por motivos de segurança têm de ser transportadas de A para B sem serem descarregadas num sítio C, e não é viável irem de navio. O futuro de toda frota da Antonov An124 é sombrio, quebrada que está a indústria de suporte na Ucrânia, que com engenho mantinha a voar aeronaves com mais de 25 anos.
Especula-se que o Airbus “Beluga” ST, usado quase exclusivamente pela Airbus para transporte de peças entre as suas fábricas, possa dar um passo em frente e tomar mercado comercial.

Contudo, o Beluga é feito para cargas de grandes volumes, mas puco peso, e não pode ser descarregado pela rampa de carga do próprio avião, necessitando de um loader especial.
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