Bloco de Esquerda assinalou dia da Igualdade apontando as desigualdades

O BE-Madeira assinalou ontem o Dia Municipal da Igualdade em contacto com a população de modo a alertar as pessoas sobre diversas questões, desde a igualdade entre géneros, à racial, ao acesso à educação, à cultura, a condições de vida e de trabalho dignos, aos direitos das crianças e dos idosos.
“Há ainda um longo trabalho a fazer nestas áreas fundamentais, que se debruçam essencialmente sobre direitos humanos, e que exigem dos actores políticos e da sociedade civil um trabalho contínuo de acção que promova a mudança de mentalidades”, refere Dina Letra, dirigente do BE na Madeira.
“Destacamos a pobreza como principal causa de desigualdade no nosso país. Na RAM o cenário é ainda mais grave e somos, a par dos Açores, a região mais pobre do país. Por isso podemos agradecer ao PSD, que governa o arquipélago há quase uma década e que, com os rios de dinheiro vindos da EU, não soube – ou não quis, resolver este problema estrutural”, acusa.
“Os números da pobreza em Portugal são dramáticos – 2 milhões de pessoas, principalmente mulheres, crianças e pensionistas, vivem abaixo do limiar da pobreza, mesmo após sucessivos aumentos do salário mínimo. E muitos outros milhares sobrevivem com pouco mais. É ainda mais gravoso sabermos que 1/3 dos pobres são trabalhadores com salário e horário completos”, acrescenta.
Por outro lado, defendem os bloquistas, o combate à pobreza só se faz com um Estado social forte e naturalmente com vontade política, que passe das palavras bonitas e mediáticas para a execução e concretização de políticas públicas de combate a este flagelo.
No entender do BE-M, só combatendo a precariedade laboral e a política de baixos salários e não incentivando-a, como tem sido acontecido com as últimas alterações do Código do Trabalho, é possível inverter esta tendência crescente de termos um número tão grande de trabalhadores em situação de pobreza.
“Quem trabalha merece a dignidade e o respeito de que o seu salário, fruto do seu trabalho, seja suficiente para suprir as suas necessidades e da sua família. E não podemos continuar a assistir a uma tendência em que sobe o salário mínimo, mas os salários médios e intermédios permanecem estagnados”, defende o BE.
A par disto, entende este partido, o aumento das pensões é fundamental não só para a sobrevivência, mas também para a dignidade dos nossos idosos.
“Não é aceitável termos pensões mínimas de 270€ ou mesmo uma pensão média que ronda o salário mínimo nacional, num país com um custo de vida tão elevado e todos os dias assistimos ao aumento de preços de bens essenciais”, insiste o Bloco.
“A habitação condigna, ou melhor a falta dela, é também um grande factor de exclusão social e, nesse sentido, promotor de desigualdade. Podemos atribuir um tablet a uma criança, mas se ela não tiver uma casa com condições de habitabilidade muito dificilmente terá sucesso nos seus estudos e percurso escolar”, aponta Dina Letra, que refere que o BE continuará a trabalhar para apresentar soluções e propostas de combate à desigualdade social e simultaneamente políticas que promovam a igualdade de deveres e direitos entre todas e todos os cidadãos.

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