Bispo do Funchal deseja que a campanha eleitoral seja “digna”

O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, disse hoje , referindo-se às próximas eleições autárquicas, que, “na liberdade e em consciência, havemos de escolher aqueles que pensamos serem os melhores para continuar a construir um modo de viver que se aproxime o mais possível da meta que nos propomos como comunidade madeirense”.

“Nestas próximas semanas, assistiremos à contraposição legítima de projectos e de pessoas que se apresentam com o objectivo de servir o interesse comum. Que seja uma campanha digna da sociedade madeirense que somos. E que Nossa Senhora do Monte a todos assista e acompanhe”, desejou.

Na sua homilia na missa em honra de Nossa Senhora do Monte, D. Nuno Brás referiu ainda que os cristãos não devem querer impor o cristianismo a quantos não acreditam em Cristo. “Mas longe de nós pensar que o cristianismo se resuma a uma mera atitude interior e secreta”, declarou. “O mandamento novo do amor até ao fim que Cristo nos ensinou e viveu, longe de violentar a consciência de quem quer que seja, promove antes a dignificação e a elevação de tudo quanto é verdadeiramente humano. Ele representa a máxima aspiração que qualquer ser humano pode conceber. É ele que queremos perceber e viver também na nossa vida pública”, acrescentou.

“Ao sairmos deste tempo de pandemia — que nos privou (e ainda priva) de não poucos momentos humanos e de tantas expressões públicas da fé —, não podemos deixar de olhar com esperança o horizonte que agora se começa a abrir diante de nós. É que, à nossa frente, ergue-se Santa Maria, o humano glorificado, a mulher e a discípula que partilha plenamente em Cristo da glória de Deus. E que nos diz qual o caminho a percorrer. E que nos diz que é possível percorrê-lo, como pessoas e como comunidade”, referiu, procurando deixar uma mensagem de esperança no futuro.

Para o bispo, “a glorificação da Virgem, assumida em corpo e alma por Cristo ressuscitado, é a glorificação do humano, o resumo do nosso viver pessoal e comunitário — realização antecipada da escatologia que o autor do Apocalipse nos dava a contemplar na Iª Leitura, ao apresentar a mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Por isso, o Apóstolo S. Paulo podia dizer na IIª Leitura que este é o destino de quantos seguem o Ressuscitado”.

“Deus não é apenas o começo do nosso existir: é também o seu fim, o seu destino. Fomos criados para viver com Deus, e nisso consiste a felicidade maior e duradoira a que algum de nós pode aspirar: também a nós Deus convida a ser semelhantes à Virgem, Senhora da Assunção. Como ela e com ela, no final da nossa vida terrena, partilharemos plenamente a vida de Cristo”, disse ainda.

“Olhando para a história da nossa Ilha, somos capazes de descobrir nela a consciência desta mesma meta: o homem divinizado em Cristo, elevado à glória de Deus, à imagem da Virgem Maria.

Quando, há 600 anos, os primeiros povoadores chegaram à Madeira, traziam consigo a consciência de iniciar algo de novo, um “Novo Mundo”. Até então, a Madeira era uma terra sem qualquer sinal de mão humana. Significativa é, desde logo, a recusa de Zarco em povoar a Ilha com os homiziados e condenados que o Infante colocava à sua disposição. Significativos são os nomes dados aos primeiros nascidos na Madeira: Adão e Eva, filhos gémeos de Gonçalo Aires, “primeiro que naquele mundo novo povoava”, diz Gaspar Frutuoso[2]. Será, aliás, este mesmo Adão Gonçalves Ferreira quem fará construir, anos depois, a ermida de Nossa Senhora da Encarnação, primeiro templo do que é hoje esta igreja de Nossa Senhora do Monte, cuja festa celebramos. Como é igualmente significativo o modo como Jerónimo Dias Leite se refere à fundação, no Funchal, da igreja de Nossa Senhora do Calhau, por Constança Rodrigues: “entendeu fazer uma igreja que fosse o princípio e o fundamento da vila do Funchal” (p. 46)”, citou.

Nossa Senhora, assumiu o prelado, tem um lugar muito especial no coração dos madeirenses, como tem igualmente um lugar muito especial no seu viver comunitário e público.