
O líder parlamentar do Grupo Parlamentar do PS-Madeira, Miguel Iglésias fez a abertura das Jornadas Parlamentares que decorrem, neste momento, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira.
A iniciativa que decorre em formato online na página do Partido, tem como tema a ‘Recuperação Social e Económica – O Papel da Autonomia’ e cotam com as intervenções dos parlamentares socialistas: Miguel Brito e Paulo Cafôfo, deputados na Assembleia Legislativa da Madeira, Carlos Pereira, deputado na Assembleia República, e Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS em São Bento.
Segundo uma nota de imprensa, Miguel Iglésias começou por realçar “alguns pontos que julgo importantes, nas jornadas parlamentares que temos realizado tenho sempre feito um ponto de situação do trabalho do nosso grupo, naturalmente que esta crise de saúde pública alterou completamente tudo o que tínhamos planeado até há 2 meses atrás, e estamos e bem a adaptarmos às novas circunstâncias que serão muito exigentes, mas serão particularmente exigentes para a população que representamos, na Madeira e no Porto Santo”.
“A prioridade número um tem de ser a recuperação económica e o apoio às empresas, pois de outra forma passaremos por um período muito difícil. É sobre isto que temos de nos focar e ajudar todas e todos aqueles que representamos”, defendeu o socialista, fazendo uma explicação quanto aos vários sectores que irão necessitar de um grande apoio nesta altura de pós-pandemia.
Relembrou que esta semana a ACIF – Câmara de Comércio e Indústria da Madeira – disponibilizou um estudo onde fazia uma estimativa assustadora dos próximos anos em termos da atividade económica da Região, perspetivando uma queda superior a 25% no PIB regional, tanto este ano como no próximo, e com perspetivas de em 2022 continuarmos em queda superior a 15%.
“Ora, isto pode significar uma destruição irrecuperável de muita da nossa capacidade económica atual, se nada for feito para atenuar as consequências negativas do período de confinamento, e em particular da total paragem do sector do Turismo, que representa cerca de 27% da nossa atividade económica”, explicou.
O deputado socialista reforçou ainda que “é preciso ter atenção que o turismo também faz movimentar outros sectores importantes. Por exemplo a Construção Civil, que representa 30% da atividade económica da região, no que concerne à sua componente de obras privadas nos últimos anos tem sido impulsionada pelos investimentos em novos hotéis, pelo investimento na renovação de muitas unidades hoteleiras, que aproveitaram o ‘boom’ dos últimos anos para fazer esses investimentos, e também da reabilitação urbana, em particular no Funchal para investimentos destinados a Alojamento Local, pequenos hotéis, restaurantes e comércio”.
“Portanto, as restrições neste momento no tráfego aéreo europeu são um problema, pois sem turistas, a atividade económica na Região fica extremamente limitada e debilitada”, acrescentou ainda.
Dessa feita, o líder parlamentar do Grupo Parlamentar do PS debruçou-se sobre a finalidade destas jornadas, o de falar “sobre este cenário”, o de pandemias e pós-pandemia, como forma de “refletir e trabalhar em medidas e em soluções, em políticas e em estratégias que lidem no pós-confinamento com esta crise em diversas vertentes, não apenas na questão económica e recuperação do tecido empresarial, mas também no apoio social, no apoio direto às famílias, no investimento público, na sua equidade, na avaliação da sua proporção, retorno e transparência, ainda mais necessários face à escassez de recursos e receitas fiscais, na reorganização do sistema de saúde, que com a contingência do COVID-19 gerou problemas significativos, com a suspensão de inúmeras consultas, exames e cirurgias, isto é um problema comum tanto a nível nacional como regional, e que temos agora de reiniciar e recuperar, e também na área da educação, a educação foi um dos sectores que teve de se adaptar de forma mais “brusca” a estas novas contingências, para continuar a dar aos jovens e crianças a formação necessária, e os desafios colocados às comunidades educativas são tremendos, e serão certamente uma das prioridades a nível das políticas públicas nos próximos meses”.
“Temos também de ter uma análise muito aprofundada do papel do Estado para o futuro, e em particular na relação entre o Estado Central e as Regiões Autónomas, que são um território economicamente mais frágil decorrente da sua ultra-periferia, que necessitam de apoios específicos, e de uma atenção cuidada”, frisou.
Miguel Iglésias sublinhou, por fim, que “eram grandes desafios antes desta crise sanitária, e agora serão ainda mais, num cenário social e económica que era positivo, e que passou agora a extremamente negativo, com o risco de muitas empresas terem de fechar, com aumento brutal de desemprego, com aumento de problemas sociais que serão agora exponenciados”
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