Pescadores e armadores “atiram-se” a Teófilo Cunha e denunciam que há preços que triplicam desde que o peixe sai dos barcos

Um grupo de pescadores e armadores da Região assumiu hoje uma posição pública sobre as afirmações proferidas ontem pelo secretário Regional de Mar e Pescas, alertando para a necessidade de não haver captura de atum acima das necessidades e propondo mesmo o sistema de rotatividade com a correspondente compensação em termos de apoios.

O texto é de contéudo duro para coo governante, deixando claro que “os homens do mar não são bandidos e  não são irresponsáveis como tem vindo a ser tratados nos últimos tempos. São apenas homens simples que procuram sustento para as suas famílias e que querem viver do seu trabalho e não de subsídios como muitos pensam. Acima de tudo são homens que sabem o que fazem e com responsabilidade”.

Os armadores e pescadores reuniram e deixaram transparecer que as declarações de Teófilo Cunha foram mal recebidas. Explicam que “nós, armadores e pescadores, somos conhecedores do meio em que trabalhamos. Conhecemos melhor do que ninguém o sector das pescas e todas as suas valências e fragilidades. Perante este conhecimento, acho que o bom senso sempre tivemos na gestão da frota e da Indústria de Pesca Regional. O que nós, armadores e pescadores, não entendemos é a persistência do Sr. Secretário em querer paralisar o sector e tentar/fazer transparecer para a opinião pública que nós não temos bom senso,  como se não soubéssemos o que andamos a fazer!? ”

No texto enviado à comunicação social, os pescadores e armadores referem que “em nenhum ponto do país ou da Europa a indústria de pesca parou. Houve, sim, uma adaptação à nova realidade que vivemos, como aconteceu em todos os sectores da sociedade, e, é desta maneira que nós armadores e pescadores vemos o futuro. O sector das pescas revela-se elemento fulcral no impacto da economia regional. Portanto, o Sr. Secretário do Mar e Pescas devia neste momento centrar o seu foco mais a sua equipa de trabalho de como contornar os aspetos impeditivos que esta pandemia causa, para que possamos todos voltar a trabalhar e escoar o nosso peixe como no passado recente. É neste sentido que se torna necessário tomar medidas, que contribua para bons resultados como os dos últimos anos. Mandar parar não é solução! É jogar o problema para trás das costas, mas ele contínua lá. O pior é que nós temos família para sustentar e contas para pagar. Parar é morrer!”

O mesmo texto refere que “nós não só apontamos críticas, também, oferecemos propostas/soluções para que voltemos à “normalidade”. Sendo assim seria importante uma fiscalização nos preços finais do peixe capturado (alguns casos mais do que triplicam desde de que saem dos barcos de pesca até chegarem ao consumidor final). Os supermercados continuam apinhados de peixe de aquacultura (com uma alimentação duvidosa). Por outro lado, aquacultura nunca parou. Esteve sempre em funcionamento, sem nenhuma restrição e sem que alguma vez o Sr. Secretário Regional tenha mencionado parar esta atividade como faz constantemente com a pesca tradicional. O que é eles têm que nós não temos?”.

Apontam os pescadores e armadores que “antes do inicio da época da pesca do atum este mesmo grupo apontou uma série de problemas na indústria, que passamos a enumerar:

1- A falta de infraestruturas capazes de corresponder às necessidades do sector, como é bem notário neste momento ( falta de espaço para o armazenamento do peixe capturado).

2- A falta e o envelhecimento dos funcionários das lotas e Entrepostos Frigoríficos, que são insuficientes para dar resposta às necessidades do sector.  Agravando-se, ainda, mais neste período, uma vez que maioria destes funcionários fazem parte do grupo de risco. A carência de recursos humanos  gera um conjunto de problemas, por exemplo, no descarregar do peixe em portos secundários que não é possível, de forma a evitar aglomerados nos portos principais. Os portos principais estão saturados a todos níveis, recursos humanos e materiais. Acima de tudo o número de funcionários não permite assegurar a rotatividade no sentido de salvaguardar a saúde de todos os que lá trabalham. Os recursos humanos, esses são prometidos há muito e variadas vezes por parte do Sr. Secretário, mas que até ao dia de hoje nunca ninguém os viu.

3- A falta de uma industria transformadora para a área da pesca como a criação de uma indústria de conserva como a acontece nos Açores. Aliás no passado, também, já o tivemos. Se tivéssemos uma indústria de conserva, certamente,  que ajudaria em muito no escoamento do peixe apanhado sobretudo o tunídeo. A volta desta indústria na Região da Madeira está cheia de vantagens e seria mais um elemento importante na economia regional.

Dizem que “mais do que nunca é necessário pensar no futuro e para isso temos de começar agora! Iniciando os incentivos e disponibilizando ferramentas necessárias. Por isso apelamos ao Sr. Secretário que concretize as obras prometidas, que concretize a chegada de mais recursos humanos que nos prometeu e que nos ajude a estabelecer novos canais de escoamento do nosso produto de qualidade.  O período que vivemos precisa que a economia comece a arrancar. Por isso, ser fundamental estarmos preparados para salvar o que resta deste ano. Prepararmos os próximos anos”.

 


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.