PCP considera intolerável que grandes empresas se estejam a aproveitar do “lay off” simplificado

O PCP emitiu um comunicado no qual se refere à forma simplificada do lay-off, à qual estão a recorrer as grandes empresas, “as que têm maior capacidade financeira, as que mais lucraram com a exploração dos seus trabalhadores ao longo dos últimos anos”.

Para os comunistas, a situação revela, uma vez mais, “o aproveitamento por parte das grandes empresas e dos grandes grupos económicos desta oportunidade para deitar a mão aos dinheiros públicos, não para manter postos de trabalho, mas apenas para compensar perdas económicas”. Se o objectivo destas empresas fosse manter postos de trabalho, dize os comunistas, “não convidariam trabalhadores a tirar licenças sem vencimento, a assinar “amigavelmente” a rescisão de contrato ou, então, a mandar para casa todos os trabalhadores com vínculos precários que vêem o seu contracto caducar”.

Na Região já existem mais de 7.000 trabalhadores em lay-off, trabalhadores que na sua maioria fazem parte de grandes  empresas como a Empresa de Cervejas da Madeira, o Grupo Pestana, o Grupo Dorisol, a Ibersol, que explora as lojas dos Aeroportos, a  Groundforce, a Portway, a ANA e, mais recentemente,  o Grupo Serlima, que acaba de colocar 511 trabalhadores em lay-off, refere o PCP.

“O Grupo Serlima, que tem mais de 1000 trabalhadores, continua com grande parte da sua actividade de laboração, mas decidiu colocar 511 trabalhadores em regime de lay-off”, informa o partido.

“É lamentável ver o aproveitamento destas grandes empresas em relação aos dinheiros públicos. É importante referir que as grandes empresas nesta Região Autónoma são responsáveis pela criação de apenas 10% dos postos de trabalho, ou seja, pouco mais de 20.000 postos de trabalho, num universo de 128.000 trabalhadores”, afirma o partido.

Ora, “dos 7.000 trabalhadores que estão em regime de lay-off a grande maioria são dessas empresas, ou seja, perto de 35% da totalidade dos trabalhadores das grandes empresas já estão em regime de lay-off”.

Uma situação que o PCP considera “escandalosamente intolerável”,  nomeadamente “que tenham cobertura política empresas como a Serlima, que ao longo dos últimos anos lucraram milhões de euros com o furto do trabalho dos seus funcionários, e que agora se preparam para se aproveitar dos dinheiros da Segurança Social”.

Por isso, esta força política questionará o Governo Regional para saber que medidas concretas estão a ser tomadas pelas autoridades regionais competentes pela área do trabalho de modo a garantir que não existam eventuais aproveitamentos fraudulentos na aplicação do lay-off e para que os direitos dos trabalhadores sejam defendidos.


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