
A anunciada demissão, quase em bloco, entre os diretores de serviço e coordenadores de unidades do SESARAM, em função da entrada do médico Mário Pereira, que tomou posse, hoje, na direção clínica do Serviço Regional de Saúde, já teve reação por parte da Ordem dos Médicos (OM), através do bastonário e do Conselho Médico da Madeira, que em comunicado não escondem a sua “preocupação” e manifestam “solidariedade aos colegas da Madeira”.
A Ordem, liderada por Miguel Guimarães, afirma que “tem respeitado as nomeações de diretores clínicos, seja no continente ou na Madeira. Mas insiste que esta situação vem, uma vez mais, demonstrar que as nomeações para estes cargos não deviam partir do poder político, mas sim decorrer de uma escolha interpares”.
Refere a OM que “a prudência e as boas práticas de gestão recomendam fortemente que a escolha de um diretor clínico seja feita tendo em conta um conjunto de critérios que passam pela formação e capacidade de liderança, pela qualidade, conhecimento e diferenciação técnica, mas, também, pela idoneidade e competência em gerir o capital humano, que constitui a alma, o coração e o músculo das unidades de saúde e, nomeadamente, dos hospitais. Um diretor clínico que não seja reconhecido interpares e não consiga estabelecer empatia com as equipas de saúde e, nomeadamente, com os médicos, está condenado ao insucesso a muito curto prazo”.
A Ordem “lamenta e considera inaceitável a existência de partidarização da saúde. E recorda que o diretor clínico tem uma enorme responsabilidade perante o SESARAM, mas também perante a Ordem dos Médicos. De facto, o diretor clínico é o principal responsável pela qualidade da medicina e pelo cumprimento das regras éticas e deontológicas, para além das enormes responsabilidades que partilha com o Conselho de Administração do hospital”.
Estas demissões, acrescenta a Ordem, “que correspondem a 66% do quadro dirigente –, a serem concretizadas, podem conduzir a uma degradação do sistema de saúde da Madeira com consequências graves para a região e para os doentes. Uma das principais funções da Ordem dos Médicos é garantir a qualidade da medicina, o que implica sermos especialmente exigentes com a formação médica. A perda de massa crítica essencial em termos de liderança coloca o hospital Dr. Nélio Mendonça numa situação muito delicada, e sem as condições adequadas para continuar a assegurar a formação dos médicos internos”.
“A Ordem irá fazer uma reunião urgente com os médicos do hospital, para avaliar o impacto que esta decisão poderá ter nos cuidados de saúde prestados aos doentes e na formação médica especializada. Deixamos como nota final o desejo de que prevaleça o bom senso e que sejam ouvidos aqueles que todos os dias fazem o Serviço Regional de Saúde da Madeira”.
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