
O PSD-Madeira começa esta segunda-feira, 28 de outubro, uma nova ronda de auscultação das bases num contexto em que as indicações do partido vão no sentido de que as questões internas devem ser discutidas internamente e não na “praça pública”, precisamente na mesma “praça pública” onde o partido tomou posição, hoje, sobre esta iniciativa interna e com o título da notícia, no JM, que não deixa dúvidas quanto ao contéudo da mensagem: “PSD avisa concelhias do que é preciso mudar”.
Esta posição de algum recato, avançada recentemente por José Prada, secretário-geral, também através do mesmo jornal, tem sido aplaudida por vários militantes, ainda que muitos se interroguem sobre as consequências práticas desse “conselho” aos dirigentes e militantes, uma vez que as informações do partido – como de resto tem acontecido com outros partidos e com Câmaras Municipais – têm sido veiculadas através dos jornais, ou seja, nessa chamada “praça pública”, umas vezes no DN outras no JM, uma estratégia que tem toda a legitimidade mas que alguns setores avançam que não se compagina com a contenção pedida.
Esta notícia de hoje, de uma “chamada de atenção” às bases através de jornais, tem um outro indicador enquanto mensagem a transmitir antes das reuniões, sempre pelo mesmo meio, quando numa outra informação é apontado que “Albuquerque prepara mudanças com auscultação aos militantes”. Assim, os militantes já ficaram a saber e quando reunirem já sabem ao que vão.
A este propósito, o comentador Luís Filipe Malheiro, conhecido social democrata que tem assumido posições públicas sobre o PSD-M e outros assuntos políticos e não só, tomou posição sobre as declarações de Prada precisamente com a tónica na correspondência que as mesmas devem ter naquela que, no fundo, tem sido a própria prática do partido.
Malheiro diz: “Concordo totalmente com o Secretário-Geral do PSD-Madeira quando afirma, e bem, que o partido não ganha nada em ver discutidas na praça pública questões internas, algumas das quais nada pacíficas mas que dizem respeito apenas aos militantes, em primeira instância. Independentemente de sabermos se existem condições internas – hoje como no passado – para discutir o que aparece a ser abordado publicamente no espaço mediático, há duas questões em relação à quais seria importante obter respostas claras:
– a primeira, saber se o PSD-M vai mesmo reagir, se quer reagir, a um alegado acomodamento e a alguma impreparação política de alguns protagonistas, impreparação essa (e certas escolhas erradas resultantes de imposições) que ajudará a explicar(?) os insucessos eleitorais de 2015, 2017 e 2019, e que não podem ser responsabilidade apenas de factores externos. Ou se vai ignorar tudo isso, por desinteresse e preferir comodamente sentar-se no sofá à espera do descalabro dos descalabros, que se acontecer implicará uma tremenda travessia no deserto, pior do que aquela que está a acontecer com o PSD nos Açores. Não duvidem disso.
– Em segundo lugar a necessidade de saber também se o PSD-M se vai preocupar apenas com os seus pouco mais de 5 mil militantes activos (?) de um universo real que não excede os 7 mil militantes – suprimindo o empolamento registado em 2014, antes das directas, em que o PSD-M correu o “risco” de ter mais filiados que o Benfica sócios… – porque se assim for, nunca ganhará eleições. Nem se modernizará internamente, nem se adaptará aos tais “novos tempos”, que são mesmo novos tempos, sociais e políticos, independentemente de coligações, sejam elas naturais ou impostas por resultados eleitorais longe da positividade e dos valores pretendidos e da necessidade de manutenção do poder”.
Mas é neste ponto que Filipe Malheiro toca naquilo a que podemos chamar de “ferida”, um pouco o “modus operandi” da generalidade da política regional e não especificamente do PSD-M: “Concordo com o secretário-geral do PSD-M. Nenhuma família vem discutir ruidosamente os seus problemas para o Facebook, para o espaço mediático ou para as mesas dos cafés. Mas isso aplica-se a tudo até a canais de ligação de fontes partidárias ao espaço mediático, a “vendedores” de notícias, a “fazedores” de protagonismos efémeros, aos “alimentadores” da especulação para medir reacções, etc. Eu sei muito bem como tudo isso funciona, a troco do quê. E regra geral com que intenção. Se a ideia é remeter a discussão para dentro de portas, então que essa regra se aplique a todos. Da minha parte, direi apenas que em breve vou tomar uma decisão pessoal que acho que é a que mais recomendo a mim próprio…”.
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