
Carlos Pereira, ex- líder do PS-Madeira, deixou hoje, em declarações ao Funchal Notícias, algumas idéias chave para justificar a sua posição que vai no sentido de ser importante a reflexão interna no partido, como consequência da derrota regional, nas europeias. Frases como “os madeirenses não gostam de armões” ou “o PS não deve transfomar-se no PSD 2” ou “é preciso trazer os militantes que não estão a participar na vida do partido” ou ainda “não se sabe muito bem quem é que manda no PS-Madeira”, expressam uma posição face aos resultados de domingo.
O ex-líder e atual deputado socialista na Assembleia da República veio a público, na noite das eleições europeias, dar os parabéns a António Costa, pela vitória nacional, mas em termos regionais lançou um alerta e defendeu uma reflexão interna no partido, face aos resultados obtidos na Região. “Para alimentar a esperança de ganhar em setembro, todos tinhamos a consciência que era preciso ganhar agora”, escreveu na sua página da rede social Facebook.
Hoje, em declarações ao Funchal Notícias, reforça a ideia da necessidade que o PS-Madeira tem no sentido de refletir sobre dois problemas, primeiro porque o partido não alcançou os objetivos para este ato eleitoral. “O que eu disse e reafirmo é que a maior dificuldade que existe em aultrapassar problemas, é precisamente não reconhecer os erros, sendo que deve haver uma consciência que existe um conjunto de situações que não correram bem. O segundo problema está relacionado com a unidade do partido, aquilo que deverá ser feito para alcançar os objetivos em setembro, que aponta para a vitória do Partido Socialista nas Regionais”.
Carlos Pereira está convencido que tanto a direção do partido como Paulo Cafôfo “consideram adequado que haja um envolvimento total do PS-Madeira nesse sentido do objetivo de vitória. No meu caso, estou onde sempre estive e estarei como sempre estive, ao lado do Partido Socialista na Madeira e para contribuir para a vitória do PS. Não mudei uma vírgula daquilo que é o meu pensamento, é esta a minha forma de interpretar as coisas. Ainda é possível chegar lá e garantir objetivos, mas é uma tarefa que tem que começar pela direção e por Paulo Cafôfo”.
Na opinião do ex-líder e deputado parlamentar na República, não é fácil apontar o que terá falhado na estratágia regional para ter como resultado esta derrota eleitoral na Região, sobretudo quando as expetativas estavam posicionadas numa vertente de “primárias” para as Regionais de outubro, que indiciassem já, pelo menos um indicador de esperança socialista para setembro. Ainda assim, lembra que “na própria noite eleitoral, existiram alguns comentários que podem, de certa forma, encerrar alguma justificação para este falhanço. Ouvi falar, por exemplo, numa arrogância por parte das cúpulas do partido e todos nós sabemos que os madeirenses não gostam de armões, um termo muito madeirense, como se dizia antigamente”.
Mas para Carlos Pereira, a unidade do partido é uma questão central: “Um partido desunido não ganha eleições. É preciso que a direção do partido saiba encontrar um caminho para a unidade no PS-Madeira, até porque estou convencido que nenhum militante está indisponível para participar numa solução do Partido Socialista. É preciso trazer os militantes que não estão a participar na vida do partido. E não estão, não é porque não querem mas sim porque não são chamados”.
Além disso, deixando ainda como reflexão interna, dá enfoque às linhas programáticas do partido, sendo de opinião que “o PS-Madeira, no seu programa e nas suas ações diárias, deve distinguir-se muito bem daquela que é a governação do PSD-M. O PS não pode apresentar aos eleitores opções políticas que foram precisamente aquelas aplicadas na Região. O PS não pode transformar-se no PSD2. O eleitorado não quer uma mudança dessas, quer uma rutura, am matéria dos transportes, do Centro Internacional de Negócios, na Educação, na Saúde, entre outros setores”.
Outra reflexão, como refere, prende-se com a liderança: “A ideia que passa é a de que ninguém sabe muito bem quem é que manda no PS-M. Até podem dizer-me que não é nada assim, mas é pelo menos a ideia que passa e que deve ser resolvida. E em política, o que parece é. É preciso o PS-M garantir que há uma liderança e que não há dúvidas sobre essa matéria. Não estou a dizer que a situação é exatamente assim, mas face ao que transparece, é importante uma clarificação e uma reflexão. Podem contar com a minha colaboração para que a Madeira tenha, através do PS, uma outra solução governativa”.
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