
Repentinamente, o cenário político em Portugal deu uma volta no clima de tensão. Ontem, no Parlamento, deu-se o inesperado, direita e esquerda juntas e PS isolado na contagem total do tempo de serviço congelado aos professores. A coligação não funcionou e António Costa convocou para hoje uma reunião de emergência do seu chamado núcleo duro, uma reunião da coordenação que normalmente acontece à terça e nunca é pública. A de hoje é.
A contagem do tempo de serviço dos professores, para 9 anos, 4 meses e 18 dias foi aprovada na especialidade. Falta agora a votação final global em plenário. Paralelamente, houve acordo, também entre PSD, CDS, PCP e BE, para que uma parte desse tempo, o correspondente a dois anos, nove meses e dois dias, fosse devolvido já em 2019, situação que o Governo considera incomportável por questões orçamentais, sendo que o PSD, para ir ao encontro do que está previsto constitucionalmente – proibição de propostas que envolvam aumento da despesa em ano económico já a decorrer – a propor que o pagamento passe para 2020 com retroatividade a 1 de janeiro de 2019.
E é nesta fase que o PS procura ganhar tempo e inverter esta situação, uma vez que são várias as declarações socialistas que apontam esta situação como inibidora da governação. Há mesmo quem avance a possibilidade do governo apresentar a sua demissão.
Declarações de Carlos César, do PS, ao Público, citadas pelo Observador, apontam que “é legítimo pensar-se que o PS não pode assumir responsabilidades de governo quanto entende que as políticas a que fica obrigado tornam essa gestão insustentável”.
Para já, fica a expetativa da reunião de coordenação convocada por António Costa, mas está criada uma situação no mínimo de incómodo por parte do maior partido do Governo, face ao que está a ser a posição dos seus parceiros de coligação, PCP e Bloco de Esquerda, que têm em cima da mesa um novo dossier para colocar no caminho do PS, a Lei de Bases da Saúde.
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