
Um homem matou a sogra, raptou a filha, de dois anos, e matou-a, ao que se sabe, por asfixia, deixando o corpo na mala do carro. Foi depois encontrado morto. Foi no Seixal, na região de Lisboa. Um desfecho trágico que está a deixar o País em estado de choque face a este percurso de tragédia, que como tantos outros, tem um antecedentes, sem que a intervenção das instituições seja suficiente para travar este estado de coisas.
Uma das vozes de indignação é de Francisco Moita Flores, escritor, antigo inspetor da Polícia Judiciária, antigo presidente da Câmara de Santarém, comentador televisivo, que hoje, na sua página da rede social Facebook, colocou um comentário intitulado “SEM PALAVRAS”. E com uma imagem à qual não há quem fique indiferente. Um momento de reflexão, que pela relevância do caso e pelo peso que estas situações têm nas sociedades, seja no Seixal, no Algarve, no Porto, na Madeira ou nos Açores, representam, sempre, oportunidades para que todos nós possamos parar para pensar no que está à nossa volta e sobretudo nesta temática que cresce, a cada ano, sem que a Justiça consiga responder de forma a evitar tanta morte por violência doméstica.
Vejamos o que escreveu Moita Flores para podermos refletir no mundo que nos rodeia. Haverá certamente inúmeras outras reflexões e muitos debates sobre o papel dos pais, em casa, da sociedade, da escola, dos meios envolventes, de todos e cada um de nós:
SEM PALAVRAS: Hesitei na foto que deveria publicar com este texto. Apeteceu-me mostrar a brutalidade da morte. Mas contive-me. Sei que este ‘post’ pode ser visto por crianças ou jovens. Ontem, no Seixal, um tipo degolou a sogra para raptar a filha de dois anos. Julgar-se-ia que numa separação litigiosa, o homem reivindicava a posse da filha.Não! Matou a criança. Fugiu. Quando a cabeça esfriou, decidiu pôr termo à vida. Sei que não há soluções fáceis para esta tragédia. Num mês e uma semana de 2019, foram assassinadas 9 mulheres e uma criança de 2 anos. Sei que a Justiça tem mão leve, para não dizer desleixada, para a violência doméstica. Sei que os preconceitos, a humilhação, a vergonha, o medo enclausuram as vítimas no seu próprio silêncio. Sei que o álcool e a drogas potenciam esta violência extrema. Sei que a escola não dá prioridade à formação de gente boa, fraterna. Estimula a competitividade, exalta o culto dos sábios em matemática ou geografia, ou noutra disciplina qualquer. Procura formar sábios. Não se preocupa em formar crianças espiritualmente saudáveis. Ignora a educação moral e cívica. É o mito de Auschwitz, onde grandes cientistas assassinavam cruelmente milhares de presos como cobaias das suas investigações. Grande sábios, homens maus. Enquanto isto, os professores estão amarrados à Escola das fichas, ao trabalho administrativo, impedidos de cumprir a sua função em plenitude: ensinar e formar. E as famílias não estão motivadas. Nem a Igreja. Afinal de contas, nós todos vivemos ou protestamos contra as consequências da violência doméstica. Mas Pôncio Pilatos é quem mais ordena. Lavamos as mãos. Chegado aqui, sabendo tudo aquilo que sei, também não sei nada. Apenas que já morreram 10 mulheres. Uma delas criança.
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