Promenade de Santa Cruz em “estado de sítio”, APRAM tem verba e aguarda “layout” da Câmara, Câmara aguarda definição do Governo

A Câmara de Santa Cruz defende que “tendo o Governo Regional planos para a criação de outras zonas de lazer no concelho, acreditamos que seria talvez necessário rever prioridades”.

A APRAM aguarda o “layout” da Câmara para seja encontrada uma solução conjunta.

 

É elevado o estado de degradação da zona.

Não é uma situação nova, mas a realidade continua a mostrar os níveis de degradação registados em parte da promenade de Santa Cruz, junto à cabeceira do Aeroporto, com os efeitos bem presentes do temporal de 2013, levando ao encerramento da estrada que dava acesso ao espaço, além da destruição da muralha de proteção e do próprio piso. Uma acumulação de pedras, na generalidade da área atingida, lixo num ribeiro ali existente, paredes pintadas, vidros partidos, completam o cenário que tanto locais como visitantes podem observar todos os dias, com a particularidade de estarmos perante um concelho com uma vertente turística forte e, por isso, aquele constituir um cartaz deveras negativo. A APRAM aguarda “layout” da Câmara, numa plataforma de “articulação conjunta”. A Câmara aguarda definição de prioridades por parte do Governo. Seis anos depois, temos promenade mais ou menos cuidada até ali, depois é um “cenário de guerra”.

O espaço é da jurisdição da Administração de Portos da Madeira (APRAM), mas a Câmara Municipal, ainda que não reunindo atribuições de tutela, afirma-se preocupada com o facto da intervenção não ter já ocorrido com a celeridade desejada. Lígia Correia, presidente do conselho de administração da APRAM anuncia que “o orçamento para este ano prevê a elaboração de um projeto de intervenção para aquela área, com prioridade para a reparação daquele acesso, com o objetivo de criar condições de segurança”, acentuando que “neste momento, a estrada está encerrada ao trânsito e irá assim manter-se até a necessária intervenção”.

Esta é a entrada para a zona mais problemática da promenade de Santa Cruz.
A outra parte da promenade é aprazível e encontra-se em boas condições.

Revela que “há alguns meses, reuniu com o Presidente da Câmara de Santa Cruz, com o objetivo de rever a situação e em conjunto, encontrar uma solução para aquele espaço. O Presidente da autarquia disponibilizou-se a entregar um layout para análise e ponderação, mas ainda não temos esse documento”.

Segundo Lígia Correia, em declarações ao Funchal Notícias, o encerramento dessa parte da promenade, que à primeira vista seria o mais aconselhável, por razões de segurança, não está colocado. E explica porquê: “Importa referir que a parte que foi destruída em 2013 foi a praça que existia junto ao cais, as instalações sanitárias e a rampa. A promenade que se desenvolve sob os arcos que sustentam a Via Rápida e a Cabeceira 06 do Aeroporto está ainda em condições”.

Já na questão da limpeza, lembra que a mesma é da responsabilidade da Câmara Municipal, que é a entidade que tem responsabilidade de todas as áreas ajardinadas”.

Relativamente à posição da Autarquia, o gabinete de comunicação de Filipe Sousa recorda o que, na prática, está regulamentado: aquele troço do Porto de Recreio está sob jurisdição da APRAM”. Só que, também diz que,” fazendo parte do “nosso território, logo no início do primeiro mandato da gestão JPP, foi feita uma limpeza da área, que se encontrava então ainda mais degradada”. Posteriormente, acrescenta, “foram levadas a cabo várias reuniões com a APRAM e com o próprio Governo Regional, no sentido de sensibilizar para a necessidade de recuperar aquela área. Esta é, aliás, uma posição que a autarquia ainda mantém, se bem que toda e qualquer intervenção na zona só poderá andar para a frente com a consolidação dos pilares e da estrada que cedeu e que, inclusive, já mereceu estudos por parte do executivo regional quanto à segurança, tendo sido encerrada por largas semanas”.

A Câmara afirma que aguarda a decisão do Governo Regional sobre a situação da promenade “sempre na perspectiva de que para nós é prioritária a intervenção naquela zona. Aliás, tendo o Governo Regional planos para a criação de outras zonas de lazer no concelho, acreditamos que seria talvez necessário rever prioridades, dada a excelência do local em questão e do tradicional uso que a população faz daquela zona, nomeadamente no verão e mesmo com as atuais condições.”.


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