Xarabanda com surpresa e satisfação pela condecoração de Marcelo, tem trabalho de 20 anos para publicar em 2019

Xarabanda
O grupo xarabanda expressa as raízes musicais madeirenses.
Xarabanda recolha
O trabalho de recolha é importante na prossecução dos objetivos da Associação Musical e Cultural Xarabanda.

A Associação Musical e Cultural Xarabanda, que a 10 de junho, pelas 11.30 horas, no Palácio de São Lourenço, recebe a condecoração de Membro Honorário da Ordem do Mérito, por decisão do Presidente da República, representa, no contexto da Cultura madeirense, um papel deveras relevante, constituindo uma instituição de mérito na pesquisa daquelas que são as raízes musicais e culturais da Região. Foi declarada, em 2002, instituição de Utilidade Pública.
A Associação resultou da criação do grupo denominado Algozes, fundado em 1981, que deu lugar depois à atual denominação. Como podemos observar na sua página do facebook, a Associação Xarabanda “é atualmente um projeto de referência na recuperação, preservação, divulgação e reinterpretação do património musical madeirense a nível nacional e internacional, como pode ser testemunhado pela sua discografia: . Tocares e cantares tradicionais da Madeira – 1989 . Longe da vista me vai – 1994 . Sete dúzias de mentiras – 1997 . Cantigas ao menino Jesus – 2001, reeditado e acrescentado em 2008 . Quem anda na roda – 2013”.
Rui Camacho, o presidente da direção, estava a trabalhar quando recebeu a notícia da condecoração e não podia ter ficado mais feliz. Surpreendido mas satisfeito. Ele e os restantes membros da associação, sentem que esta distinção traduz o reconhecimento pelo trabalho feito ao longo dos anos. Ao Funchal Notícias, diz ter sido “uma grande satisfação e realmente não esperávamos esta condecoração, sobretudo tratando-se de um reconhecimento ao mais alto nível, envolvendo a Região e o Estado”.

Rui Camacho lembra que o trabalho da associação visa “aquilo a que chamamos de património cultural imaterial, é esse o nosso objetivo”. Lembra o início deste projeto, em 1981 e aponta que tudo começou “através de um grupo de amigos com as mesmas afinidades musicais e a consciência que era preciso fazer alguma coisa na defesa da tradição madeirense, em especial na música tradicional. E continuamos sempre a trabalhar, ao nível dos instrumentos, da tradição oral, dos contos, tudo o que está relacionado com a cultura da Região, a cultura tradicional”.

Procurar respostas juntando pessoas é um dos domínios em que a associação se move, numa “incessante busca num mundo com muito para fazer”. E Rui Camacho diz que “ainda não terminámos”, referindo que a Associação Musical Xarabanda já entregou, na secretaria da Cultura, um trabalho de 20 anos de recolha e 12 anos de organização, sistematização e classificação do cancioneiro, tendo em vista ser publicado para 2019″.